AUSTIN — O prefeito Kirk Watson cobrou a participação das forças de segurança locais na investigação sobre o disparo que feriu o venezuelano Wilber Garcés Pérez durante uma operação migratória na cidade, no Texas. Para ele, o caso não deve ficar apenas sob responsabilidade do governo federal.
Garcés, de 28 anos, foi atingido por um agente federal no domingo (20), enquanto trabalhava como entregador da DoorDash, segundo a advogada Kate Lincoln-Goldfinch. Ele foi levado a um hospital e depois transferido para um centro de detenção. O Departamento de Segurança Interna (DHS) informou que o venezuelano está em condição estável. Relatos iniciais apontavam um estado grave.
Investigação federal
O DHS informou que lidera a apuração sobre o agente envolvido, com assistência do FBI. A instituição afirmou que Garcés havia ingressado ilegalmente no país e tinha uma ordem final de deportação.
A chefe de polícia de Austin, Lisa Davis, disse que o disparo ocorreu “após uma breve perseguição a pé”. A advogada afirmou ter visto fotos do ferimento e pediu acesso às câmeras corporais dos agentes.
Lincoln-Goldfinch também disse que as autoridades migratórias demoraram horas para atualizar a esposa do venezuelano. “Duas horas depois, ficamos sabendo que o ICE o havia transferido do hospital para um centro de detenção, mas ainda desconhecemos o paradeiro”, afirmou.
O prefeito Kirk Watson declarou estar irritado e decepcionado com o fato de uma pessoa ter sido baleada pelo ICE nas ruas de Austin. Ele afirmou que houve um “aumento significativo, quase da noite para o dia” nas operações do órgão na capital do Texas.
Dezenas de pessoas protestaram no local do tiroteio. Parte dos manifestantes foi dispersada por policiais com gás lacrimogêneo.
O congressista Greg Casar questionou a condução de investigações do ICE em outros tiroteios. Ele citou o caso de Renee Good, morta em Mineápolis, em janeiro deste ano. Casar disse que, se Garcés for deportado, a principal testemunha do disparo desaparecerá.
Segundo o DHS, quase 51.000 pessoas sem documentos foram detidas nos Estados Unidos em agosto.









