MATA DE SÃO JOÃO — O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a discussão sobre as tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil deve ser resolvida depois das eleições. Para ele, a medida representa uma interferência eleitoral com o objetivo de provocar uma percepção negativa sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Depois da eleição isso tem de se resolver, pela própria gravidade da discussão econômica”, disse Durigan. O ministro afirmou que o debate deve mudar de foco e que o problema tarifário será solucionado.
A declaração ocorreu nos bastidores do Fórum CEO Brasil 2026, em Mata de São João, na Bahia. Durigan também classificou as tarifas como descabidas do ponto de vista econômico. Segundo ele, o Brasil gera superávit para os Estados Unidos na balança comercial.
Compras e exportações
O ministro destacou que o Brasil compra dos Estados Unidos produtos farmacêuticos, serviços de nuvem e tecnologia. Em sentido contrário, exporta itens como suco de laranja e carne. Para Durigan, a cobrança é “muito injusta” por atingir um país mais pobre.
Na mesma entrevista, ele confirmou que o governo trabalha para endurecer as regras aplicadas às casas de apostas esportivas, conhecidas como bets. O ministro afirmou que a regulamentação começou a ser enfrentada e chamou o problema de uma “pandemia herdada”.
Entre as medidas já adotadas estão a cobrança de tributos de 15% sobre o GGR, a proibição da participação de beneficiários do Bolsa Família e do BPC e o veto à entrada de pessoas endividadas pelo Desenrola. O chamado mercado preditivo, ou “bet 2.0”, também foi proibido no Brasil. Esse modelo envolvia apostas sobre temas como a morte de pessoas e o clima.
Durigan demonstrou preocupação com os dados que apontam que R$ 60 bilhões das famílias brasileiras foram destinados às bets nos últimos anos. Ele disse que o governo estuda novas “vacinas” contra o endividamento familiar e medidas ligadas às apostas para proteger o poder de compra.









