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O que a pintura de Pedro Américo deixou fora da Independência
Foto: Pedro Américo Divulgação
Brasil

O que a pintura de Pedro Américo deixou fora da Independência

A tela transformou uma decisão política e uma viagem difícil em uma cena grandiosa, com cavalos, fardas e um grito que viraram símbolos nacionais.

A pintura Independência ou Morte, de Pedro Américo, ajudou a transformar o Sete de Setembro em uma cena de heroísmo. Mas a imagem do príncipe sobre um cavalo empinado, cercado por soldados uniformizados, reúne elementos que não correspondem ao que ocorreu em 1822.

Finalizada em 1888, 66 anos após o rompimento oficial com Portugal, a obra foi criada durante uma crise do Segundo Reinado. Dom Pedro II enfrentava o avanço do movimento republicano e a perda de apoio à monarquia. Nesse cenário, a Coroa buscava um símbolo de legitimidade e união nacional.

Pedro Américo, pintor paraibano que vivia em Florença, na Itália, recebeu do governo imperial a missão e o orçamento para produzir a tela. A proposta não era registrar os acontecimentos como uma fotografia, mas construir uma imagem grandiosa da separação entre Brasil e Portugal.

O que aconteceu às margens do Ipiranga

No dia 7 de setembro, Dom Pedro seguia para São Paulo depois de passar por Santos e subir a Serra do Mar. A comitiva tinha aproximadamente 14 pessoas, entre auxiliares e seguranças. Não havia a multidão organizada mostrada na pintura.

Mensageiros vindos do Rio de Janeiro entregaram cartas assinadas por Maria Leopoldina e pelo ministro José Bonifácio. Os documentos informavam que Portugal havia rebaixado o Brasil à condição de colônia e exigiam o retorno imediato do príncipe.

A decisão ocorreu após a leitura dessas correspondências. O riacho do Ipiranga foi o local onde os mensageiros alcançaram o grupo. A cena poderia ter ocorrido em outro ponto caso as cartas chegassem depois.

Cavalos, uniformes e a saúde do príncipe

Na viagem, Dom Pedro I montava uma mula de carga, uma besta baia. O animal era mais adequado às estradas de terra, lama, pedras e à subida da Serra do Mar do que o cavalo de aparência militar exibido na tela.

Os soldados também não usavam os uniformes de gala vistos na obra. A guarda de honra representada no quadro não existia com aquela configuração em 1822. Os acompanhantes vestiam roupas comuns de montaria, marcadas pela poeira e pelo desgaste da viagem.

Relatos de testemunhas, incluindo o coronel Manuel Marcondes, afirmam que o príncipe estava gravemente indisposto. Ele teria sofrido uma forte infecção intestinal durante o trajeto e precisado parar diversas vezes por causa das dores abdominais. Essa condição não aparece na representação feita por Pedro Américo.

O que a tela também alterou

A obra está no Museu Paulista, conhecido como Museu do Ipiranga, em São Paulo. O salão nobre foi projetado para receber a pintura, que mede 4,15 metros de altura por 7,60 metros de largura.

As palavras exatas atribuídas a Dom Pedro I no momento da separação não são comprovadas. O lema “Independência ou Morte” foi consolidado depois como um slogan político.

A chamada Casa do Grito, vista ao fundo, também não existia no momento da proclamação. Pesquisas arquitetônicas indicam que a construção de pau a pique foi erguida anos depois e incluída na composição para reforçar o cenário rural.

A pintura, portanto, não funciona como um registro literal do Sete de Setembro. Ela organizou diferentes símbolos — o cavalo, a espada, os uniformes e a casa — para criar uma imagem oficial da fundação do Brasil.

Texto produzido pela Redação Olhar Agora com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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