SÃO PAULO — O uso de bancos de dados pode fortalecer investigações ambientais e dificultar a contestação por políticos e grupos interessados em esconder informações. A avaliação foi feita durante uma oficina do Festival piauí de Jornalismo, após um debate sobre ameaças à imprensa em diferentes países.
A atividade reuniu Maria Rosa Darrigo, gerente do Pulitzer Center; Veronica Goyzueta, cofundadora do portal Sumaúma; e Flávio Ferreira, repórter especial. Os jornalistas defenderam a combinação entre dados e entrevistas com personagens para ampliar a profundidade das apurações e do debate público.
Darrigo afirmou que as questões ambientais estão diretamente ligadas à política. Goyzueta citou a privatização da Sabesp como exemplo de pauta ambiental. Ferreira relatou que, para ele, o jornalismo ambiental esteve relacionado, no último ano, às emendas parlamentares. Ele produziu, com Henrique Santana, a série Poder e Devastação, sobre os impactos desse mecanismo orçamentário no meio ambiente brasileiro.
Imprensa sob pressão
Antes da oficina, o festival exibiu o média-metragem Defendendo o futuro da mídia livre, produzido pelo Instituto Internacional de Imprensa (IPI). A sessão ocorreu neste sábado (5), na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, e foi seguida por um debate.
O filme aborda restrições à liberdade de expressão e ações contra jornalistas na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina. A jornalista ucraniana Olga Rudenko, editora-chefe do Kyiv Independent, participou da conversa ao lado de Carlos Dada, cofundador do El Faro. A mediação foi feita por Paula Miraglia, fundadora da Gama Revista, cofundadora do Nexo Jornal e conselheira do IPI.
Rudenko afirmou que a maneira como a imprensa é tratada nos Estados Unidos pode incentivar ataques contra jornalistas em democracias menos estáveis. Dada disse que continua no jornalismo para tornar mais difícil a atuação de autocratas. Ao final, os dois destacaram o papel da solidariedade internacional para manter o trabalho da imprensa em seus países.
O documentário também apresenta críticas de líderes como Vladimir Putin e Javier Milei ao jornalismo livre. Márton Gergely, editor-chefe do Heti Világgazdaság, afirmou: “Não é possível construir a máquina de propaganda perfeita.” O veículo foi um dos poucos a sobreviver à repressão de Viktor Orbán na Hungria, derrotado nas eleições de abril deste ano por Péter Magyar, do partido Tisza. O IPI foi fundado em 1950 para promover o jornalismo no pós-Segunda Guerra.








