A França teve o verão mais quente desde 1900, superando os registros de 2003 e 2022. No período, as autoridades sanitárias contabilizaram 7.919 mortes adicionais entre o fim de maio e 20 de agosto. O balanço ainda pode crescer com a inclusão dos dados das últimas semanas da estação.
O episódio mais letal ocorreu de 17 de junho a 2 de julho, com 5.764 mortes em excesso. Naquele momento, as atividades educacionais, empresariais e profissionais ainda funcionavam em ritmo pleno, antes do início das férias de verão.
Outros períodos também tiveram aumento de mortes: foram 1.243 entre 3 e 20 de julho, 817 entre 27 de julho e 20 de agosto e 95 entre 24 e 28 de maio, durante uma intensificação da onda de calor no início do verão.
Idosos entre os mais afetados
A autoridade francesa de saúde pública informou que os idosos concentraram grande parte das mortes neste ano. Um número elevado foi registrado entre 14 e 16 de agosto, logo depois dos dias mais quentes.
Ainda não é possível relacionar diretamente todas as mortes às ondas de calor. Para Guillaume Boulanger, responsável pela unidade de ambientes de vida e trabalho da autoridade francesa de saúde pública, “Este verão de 2026 foi completamente sem precedentes, com episódios de onda de calor quase contínuos”.
O verão de 2003 também foi lembrado pelas autoridades. Naquele ano, uma onda de calor atingiu a França durante as férias, quando os hospitais tinham equipes reduzidas e muitos idosos ficavam sozinhos. O episódio deixou cerca de 15.000 mortos.
As autoridades afirmam que as mudanças climáticas, associadas principalmente à queima de carvão, petróleo e gás em atividades humanas, aumentam a probabilidade de ondas de calor mais intensas, longas e amplas.









