O governo de Donald Trump revogou os limites para emissões de carbono de usinas de energia movidas a carvão e gás nos Estados Unidos. A EPA confirmou a decisão nesta segunda-feira (14), durante uma reunião de ministros de Energia do G20 em Houston.
As regras anuladas foram adotadas na gestão de Joe Biden com base na Lei do Ar Limpo. A norma de 2024 previa o controle da poluição por gases de efeito estufa em usinas de carvão já existentes e em novas usinas a gás. A EPA havia aprovado o texto em abril de 2024.
As exigências determinavam uma redução de até 90% da poluição por dióxido de carbono ao longo do tempo. Para cumprir a meta, as usinas teriam de usar tecnologia de captura de carbono nas chaminés. A agência afirmou que os requisitos eram impossíveis de cumprir e que os prazos eram curtos demais.
Nova proposta
Além da revogação, a EPA propôs uma regra para afirmar que não tem autoridade para regulamentar as emissões de gases de efeito estufa do setor energético. A proposta também sustenta que esse tipo de regulação não ajudaria de forma efetiva no combate às mudanças climáticas globais.
O governo relaciona a medida à revogação, em fevereiro de 2026, da chamada Declaração de Perigo de 2009. O documento estabelecia que os gases de efeito estufa ameaçavam a saúde e o bem-estar públicos.
A EPA calcula que a revogação das normas permitirá uma economia de 310 bilhões de dólares (cerca de 1,6 trilhão de reais). A segunda proposta acrescentaria uma economia de 370 milhões de dólares (cerca de 2 bilhões de reais). Críticos questionaram os valores e disseram que vão analisá-los.
Representantes ligados à indústria aplaudiram o anúncio durante o encontro em Houston. Já Rachel Cleetus, da Union of Concerned Scientists, acusou a agência de priorizar os lucros da indústria de combustíveis fósseis e deixar de lado a saúde e o bem-estar da população.
A decisão foi anunciada depois de agosto registrar temperaturas recordes no mundo e de os Estados Unidos terem o verão mais quente. Cientistas apontam a queima de combustíveis fósseis como principal causa do aquecimento global. Neste ano, o aquecimento provocado pela atividade humana também se soma a um fenômeno El Niño intenso.
A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, classificou a mudança como catastrófica e disse que tomará medidas para proteger as normas ambientais.









