SÃO PAULO — Flávio Bolsonaro evitou mencionar Donald Trump e Daniel Vorcaro durante o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo. A manifestação reuniu políticos da extrema direita, bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, cartazes em inglês e pedidos para que Trump acompanhasse as eleições brasileiras.
O nome mais citado nos discursos foi o do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. As revelações sobre a relação do magistrado com Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foram usadas para defender seu afastamento ou impeachment e pedir uma maioria de direita no Senado.
Flávio, que teve revelada uma relação direta com Vorcaro, não citou o empresário. O candidato afirmou que o “consórcio de Lula com Moraes” acabará e prometeu indicar ao Supremo ministros contrários ao aborto, às drogas e ao que chamou de ideologia de gênero nas escolas. Também comparou a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado a uma segunda facada.
Tarcísio de Freitas defendeu uma reação do Senado e a eleição de parlamentares de direita. Nikolas Ferreira pediu o afastamento de Moraes e afirmou que faria um ato em frente à casa de Davi Alcolumbre. Silas Malafaia chamou o ministro de “ditador da toga” e também levou o Banco Master ao discurso.
Trump fora do palanque
A avenida teve um boneco de Trump, bonés com referências ao republicano, placas em inglês e um manifestante vestido como Elvis Presley. A grande bandeira dos Estados Unidos exibida no ato bolsonarista de 7 de Setembro de 2025 não apareceu desta vez.
A mudança ocorreu durante a disputa eleitoral e após pesquisa Datafolha divulgada em agosto indicar que 50% dos brasileiros viam possibilidade de interferência estrangeira nas eleições. Para 32%, isso era um problema; 18% não viam problema.
Flávio havia agradecido a Trump em 2025, quando o presidente dos Estados Unidos anunciou uma tarifa de 50% contra produtos brasileiros. Em julho, o senador pediu ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos que uma nova tarifa de 25% contra o Brasil não fosse aplicada antes das eleições.
Soberania em Brasília
Em Brasília, Luiz Inácio Lula da Silva colocou a soberania nacional no centro das comemorações oficiais. Em pronunciamento na véspera, disse que o Brasil não deve baixar a cabeça diante de potências estrangeiras e que não será colônia de ninguém.
O desfile na Esplanada dos Ministérios teve como lema “Soberania: a força que une o Brasil” e reuniu cerca de 4 mil civis e militares. A cerimônia também destacou a violência contra meninas e mulheres, a Copa do Mundo Feminina de 2027 e manifestações pelo fim da escala 6×1.








