Um depósito da petroleira estatal Aramco foi visto em chamas neste sábado (19) nas proximidades do aeroporto internacional de Riade, na Arábia Saudita. O local era cercado por fumaça, enquanto equipes de bombeiros tentavam controlar o incêndio.
O episódio ocorreu após duas fortes explosões durante a madrugada e o acionamento de um alerta de ataque aéreo. Foi a primeira vez que o aviso soou na capital desde a retomada do conflito no Iêmen entre os houthis e o governo apoiado pela Arábia Saudita.
Voos afetados
Durante a manhã, vários voos foram cancelados ou sofreram atrasos em Riade, segundo o site especializado Flightradar24. À tarde, o tráfego aéreo havia voltado ao normal.
Uma mensagem enviada aos moradores pouco antes das 3h00 locais, ou 21h00 de sexta-feira no horário de Brasília, dizia que a região estava sob ameaça aérea hostil e orientava a população a permanecer em casa.
“Ouvi o alarme e, em seguida, minhas janelas tremeram”, declarou um morador de 27 anos do norte da cidade. Outro residente, do centro de Riade, classificou o episódio como “aterrorizante” e disse que ficou angustiado porque o sinal de fim do alerta não chegou imediatamente.
As autoridades sauditas não divulgaram informações sobre as explosões. Os houthis também não reivindicaram nenhuma ação nas horas seguintes.
Conflito no Iêmen
A retomada dos combates aumentou os ataques dos houthis, combatentes pró-Irã que controlam grande parte do Iêmen, contra a Arábia Saudita. Nesta semana, Riade acusou o grupo de atacar Meca, mas os houthis chamaram a acusação de mentira.
Até agora, a maioria dos ataques havia sido direcionada a instalações petrolíferas e bases militares no sul ou na costa do Mar Vermelho, sem atingir a capital.
Nas últimas horas, os confrontos deixaram 48 mortos: 17 soldados do exército e 31 combatentes houthis, conforme fontes militares dos dois lados. A ONU calcula que mais de 112.000 pessoas deixaram suas casas desde a retomada dos combates, enquanto quase 3.000 fugiram pelo mar em direção ao Djibouti.
Para Anna Jacobs, do Arab Gulf States Institute em Washington, Arábia Saudita e houthis estão “presos em uma espiral de escalada”. Ela afirmou que Riade vai reagir, mas que a saída depende de negociações.









