O escritor e candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, defendeu nesta quarta-feira (9) a criação de uma lista tríplice para a escolha do diretor-geral da Polícia Federal. A proposta ocorre durante a crise que envolveu o afastamento e a recondução de Andrei Rodrigues ao comando da instituição.
Pelo modelo sugerido, delegados federais escolheriam três nomes, e o presidente da República indicaria um deles. Cury afirmou que a mudança poderia ampliar a autonomia da PF em relação ao governo e classificou a corporação como uma polícia de Estado.
"Para não haver interferência na Polícia Federal, deveria haver uma lista tríplice de delegados federais escolhidos pelos próprios delegados federais", disse o candidato em entrevista coletiva.
Como é a escolha hoje
Atualmente, o diretor-geral da Polícia Federal é escolhido diretamente pelo presidente, sem exigência de lista tríplice ou aprovação do Congresso. O indicado precisa ser delegado de classe especial, último nível da carreira, e a nomeação é feita por decreto presidencial.
Andrei Rodrigues foi indicado por Luiz Inácio Lula da Silva no início do terceiro mandato e assumiu o cargo em janeiro de 2023. Antes, ele havia sido responsável pela segurança de Lula durante a campanha eleitoral de 2022 e ocupava funções de direção na PF.
A declaração de Cury ocorreu durante uma crise institucional no STF, após a divulgação de mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. André Mendonça havia determinado o afastamento de Rodrigues por supostas irregularidades na produção de um relatório de inteligência usado em investigação.
Flávio Dino reverteu a decisão nesta quarta-feira. Segundo o ministro, a troca no comando da PF, incluindo Leandro Almada, poderia comprometer investigações sensíveis e causar instabilidade administrativa.
Cury disse estar triste com os episódios e defendeu que autoridades públicas prestem contas à sociedade. Para ele, a crise tem contribuído para o desgaste da imagem do STF.








