A Coreia do Sul anunciou nesta quinta-feira (8) que convocará de volta o embaixador na Ucrânia, Park Hee-chang. A decisão amplia o protesto contra a divulgação da transferência sigilosa de dois prisioneiros de guerra norte-coreanos para o país.
O caso foi revelado pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, durante um discurso na ONU, em 23 de setembro. Seul acusa a Ucrânia de violar um acordo de confidencialidade sobre a operação, realizada em meados de setembro. Kiev nega que tenha firmado esse entendimento.
O Ministério das Relações Exteriores sul-coreano não informou quando Park Hee-chang retornará. Em nota, a pasta disse que continuará as consultas com Kiev e espera uma solução tranquila para a disputa.
Transferência dos prisioneiros
Os dois militares estavam entre milhares de tropas norte-coreanas enviadas para apoiar a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Capturados no início de 2025, eles teriam manifestado interesse em se reassentar na Coreia do Sul por temer perseguição caso fossem repatriados.
Seul afirmou que aceitaria os soldados por considerar, legalmente, a Coreia do Norte parte de seu território. O país também mantém uma política de acolhimento e apoio financeiro a desertores norte-coreanos.
Autoridades sul-coreanas disseram que o sigilo buscava proteger os prisioneiros e parentes deles no Norte. Especialistas avaliam que o governo liberal sul-coreano também teme que a divulgação prejudique tentativas de melhorar as relações com Pyongyang.
Dias antes do anúncio, o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, havia ameaçado adotar medidas punitivas não especificadas se a Ucrânia não pedisse desculpas pela divulgação.
A Coreia do Sul forneceu US$ 445 milhões em ajuda humanitária à Ucrânia desde 2022. Em julho, Lee prometeu mais US$ 100 milhões durante um encontro com Zelenski.









