O primeiro-ministro britânico Andy Burnham afirmou que o Reino Unido poderá escolher entre três caminhos na relação de longo prazo com a União Europeia: manter o vínculo atual, retornar à união aduaneira e ao mercado único ou voltar ao bloco.
A declaração foi dada nesta quarta-feira (30), em entrevista à BBC Radio 4. Burnham disse que a decisão precisa levar em conta o que é viável e as vantagens e desvantagens de cada alternativa. Por enquanto, ele não indicou qual opção prefere.
Debate sobre o Brexit
No congresso do Partido Trabalhista, realizado na terça-feira em Liverpool, o primeiro-ministro afirmou que pretende apresentar diferentes opções para o futuro da relação com a UE. A discussão deve considerar uma cúpula entre o Reino Unido e o bloco, prevista para antes do final do ano.
Burnham fez campanha contra a saída britânica da UE em 2016. Na terça-feira, também avaliou que o Brexit causou mais prejuízos do que benefícios ao país, principalmente na economia.
O Partido Trabalhista chegou ao poder em 2024 com uma proposta de aproximação com a UE. O programa, porém, estabelecia três restrições: não retomar a união aduaneira, não voltar ao mercado único e não restabelecer a livre circulação de pessoas.
Reações na Europa e no Reino Unido
A Comissão Europeia afirmou que cabe ao governo britânico explicar como pretende desenvolver a relação com o bloco. O porta-voz Balazs Ujvari acrescentou que a UE continua aberta a analisar as opções apresentadas.
O presidente da França, Emmanuel Macron, reagiu com a expressão “Welcome back” e disse que um eventual retorno seria uma boa notícia para o Reino Unido e para os europeus. A declaração foi feita em Madri, durante uma visita oficial à Espanha.
A deputada trabalhista britânica Stella Creasy afirmou que o Reino Unido está disposto a avançar e construir um futuro comum com os países europeus. O eurodeputado italiano Sandro Gozi classificou a fala de Burnham como uma oportunidade histórica.
Defensores do Brexit criticaram a possibilidade. Richard Tice, número dois do Reform UK, chamou a proposta de traição.
Uma pesquisa do instituto Survation, publicada no início de junho, apontou que 55% dos eleitores escolheriam retornar à UE em um novo referendo. A cúpula prevista inicialmente para julho foi adiada após a renúncia do então primeiro-ministro Keir Starmer. Uma nova data deve ser definida antes do final do ano.









