BOLÍVIA — O preço do diesel no país passa a acompanhar o valor internacional após o governo eliminar o subsídio ao combustível. A decisão foi anunciada na sexta-feira (18), poucas horas depois de o Congresso aprovar um crédito de 1,9 bilhão de dólares do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O presidente Rodrigo Paz afirmou que o subsídio custa quase 55 milhões de dólares (282 milhões de reais) por semana ao Estado e estimula o contrabando, já que os preços nos países vizinhos são maiores. Segundo ele, a mudança deve garantir o abastecimento permanente.
“Tomamos a decisão de que, a partir de hoje, o diesel custará o mesmo que nos custa comprá-lo fora”, disse Paz em uma mensagem exibida pelo canal estatal de televisão.
Crédito e reformas
O Senado aprovou definitivamente o projeto que autoriza o endividamento. O texto, conforme comunicado da Câmara Alta, é destinado a apoiar o programa integral de reformas econômicas do país. A proposta havia passado pelos deputados na quinta-feira.
O financiamento permitirá à Bolívia acessar um empréstimo de 1,9 bilhão de dólares (9,7 bilhões de reais). Paz espera que a liberação do dinheiro atraia mais cooperação econômica de organismos internacionais.
O compromisso assumido com o FMI inclui o fim dos subsídios aos combustíveis, a redução do déficit fiscal e das despesas correntes e a adoção de um câmbio flexível.
Gasolina ainda sem decisão
O governo havia previsto acabar com o subsídio dos combustíveis em janeiro de 2026. Por enquanto, a medida começou pelo diesel, enquanto ainda não há decisão sobre a gasolina.
O preço dos dois combustíveis já havia dobrado em dezembro de 2025. O diesel voltou a subir em agosto, com alta superior a 100%, e chegou a 18 bolivianos por litro, cerca de 2 dólares (10 reais).
Ao assumir o poder em novembro do ano passado, Paz encontrou falta de combustíveis e de dólares. Ele atribuiu aos antecessores Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025) a pior crise econômica do país em 40 anos. Como resposta à retirada do subsídio, o presidente anunciou ações sociais para aliviar os efeitos sobre os setores mais vulneráveis.









