O governo da Bolívia conseguiu estender por mais 90 dias o estado de exceção decretado em junho. A decisão foi aprovada pelo Congresso nesta quinta-feira (17), em sessão pública, após alertas sobre a possível retomada de bloqueios, marchas e paralisações no país.
A medida original venceria na sexta-feira, 18 de setembro. O Executivo pediu uma nova prorrogação, classificada como excepcional, por causa do cenário político e social. O vice-presidente e presidente do Congresso, Edmand Lara, confirmou a aprovação: “fica aprovada a ampliação do estado de exceção pelo prazo de noventa dias”.
Pressão sobre o governo
O estado de exceção foi decretado pelo presidente Rodrigo Paz em 20 de junho, depois de 53 dias de protestos e bloqueios de rodovias. As mobilizações reuniram trabalhadores, indígenas e camponeses ligados ao ex-presidente Evo Morales, que governou entre 2006 e 2019.
As manifestações começaram em meio à crise econômica, considerada a mais grave em quatro décadas no país, e à reclamação sobre a venda de gasolina de má qualidade. Depois, os atos passaram a exigir a renúncia de Paz, que assumiu o poder em novembro do ano passado.
A medida restringe o direito de manifestação e permite a mobilização dos militares. La Paz e El Alto enfrentaram escassez de alimentos e medicamentos durante os protestos.
Combustíveis no centro da crise
O ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, disse que a prorrogação busca preservar a circulação e a normalização da economia. O gabinete dele citou ameaças de reativação de bloqueios e mobilizações sociais nos próximos dias.
Camponeses, produtores de coca ligados a Morales e caminhoneiros ameaçam voltar às ruas por causa da falta persistente de combustíveis. O governo dobrou o preço da gasolina e triplicou o do diesel.
Também há um compromisso com o FMI para retirar todos os subsídios aos combustíveis a partir de janeiro do próximo ano. A medida está vinculada ao recebimento de uma cooperação econômica milionária.









