A Apple quer transformar Macs, iPhones e iPads em parte da infraestrutura de inteligência artificial das empresas. A estratégia ganhou força com a nova geração de Macs equipada com o chip M6, que representa uma aposta além do aumento de desempenho dos computadores.
A companhia pretende fazer com que mais tarefas de IA sejam executadas diretamente nos dispositivos. Com isso, as empresas podem reduzir a dependência de servidores em data centers e diminuir o processamento contratado na nuvem.
A mudança acompanha o movimento de organizações que distribuem as tarefas de inteligência artificial entre a nuvem e os equipamentos usados pelos funcionários. A IDC projeta que metade da inferência de IA nas empresas será feita em dispositivos ou na borda até 2030. Inferência é o momento em que o modelo processa uma solicitação e gera uma resposta.
Processamento local e nuvem
Um estudo da Omdia indica que 65% das empresas que já usam IA nos dispositivos pretendem ampliar esse processamento. Entre as organizações que adotam uma arquitetura híbrida, que combina ambientes diferentes, 33% planejam aumentar o uso de processamento local. O levantamento ouviu cerca de 1,6 mil líderes de tecnologia.
Nesse cenário, a Apple amplia os investimentos no Apple Silicon, linha de chips próprios que reúne CPU, GPU e recursos específicos para inteligência artificial. A empresa também oferece ferramentas para que desenvolvedores adaptem modelos próprios e façam esses sistemas rodarem em Macs, iPhones e iPads.
A estratégia inclui aproximação com empresas que trabalham com modelos locais. A Ollama e a Misty Studio estão entre as iniciativas citadas. A Perplexity apresentou o Hybrid Compute, recurso que combina processamento local no Mac com computação em nuvem.
Nesse formato, arquivos privados e informações sensíveis podem permanecer no computador. Já atividades como pesquisa, planejamento e tarefas que exigem mais capacidade podem ser realizadas na nuvem. O dispositivo passa a participar do processamento, em vez de apenas acessar serviços de IA.
Novas ferramentas para o ambiente corporativo
A Apple também prepara a expansão de serviços voltados às empresas com a próxima geração de seus sistemas operacionais, prevista para as próximas semanas. Pela plataforma Apple Business, organizações poderão comprar assinaturas de software em volume e distribuir aplicativos aos funcionários, incluindo Slack, Box e Microsoft Office.
A companhia ainda amplia recursos de identidade e segurança. O Platform Single Sign-On integra o login do funcionário ao sistema de autenticação usado pela empresa. Também estão previstas mais opções de autenticação multifator, métodos sem senha e personalização da experiência de login.
Para ambientes com equipamentos compartilhados, o Modo de Convidado Autenticado permite que o trabalhador use suas credenciais corporativas para acessar documentos, sites e aplicativos necessários. Ao sair, os dados criados na sessão são apagados. O recurso já estava disponível no Mac e chegará ao iPadOS.









