Uma pesquisa da acadêmica Holly Ordway indica que J.R.R. Tolkien não odiava As Crônicas de Nárnia nem rompeu a amizade com C.S. Lewis por causa da série. A relação entre os dois era mais complexa do que a versão repetida por biógrafos ao longo de décadas.
A lenda dizia que Tolkien teria reagido com um “ronco de desprezo” ao ouvir os primeiros capítulos de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, lidos por Lewis em 1949. Segundo a pesquisa publicada em Sehnsucht: The C.S. Lewis Journal, essa expressão não aparece nos relatos originais de testemunhas, como o escritor Roger Lancelyn Green.
A crítica de Tolkien
Na ocasião, Tolkien questionou a combinação de elementos mitológicos presentes na obra. Ele criticou, por exemplo, os títulos dos livros encontrados na prateleira do Sr. Tumnus: “Isto realmente não funciona, sabe! Quero dizer: 'Ninfas e Seus Costumes, A Vida Amorosa de um Fauno'. Ele não sabe sobre o que está falando?”
Tolkien não aprovava a estrutura narrativa de Lewis, que reunia Papai Noel, ninfas, faunos, castores falantes e a Feiticeira Branca no mesmo universo. Também rejeitava alegorias deliberadas, sobretudo a relação religiosa direta associada à jornada de Aslan, personagem ligado a Jesus Cristo.
Mesmo com essas diferenças, Tolkien reconhecia a popularidade e a qualidade da escrita do amigo. Em uma carta de 1971, afirmou: “Fico feliz que tenha descoberto Nárnia. Estas histórias são merecidamente muito populares; mas, já que me pergunta se gosto delas, receio que a resposta seja não.”
Por que eles se afastaram
A pesquisa aponta que o distanciamento entre Tolkien e Lewis teve outros motivos. Entre eles estavam a mudança de Lewis para Cambridge, o casamento dele com Joy Davidman e a influência crescente do escritor Charles Williams.
A ideia de que Nárnia destruiu a amizade dos autores teria surgido de interpretações ampliadas por biógrafos. As divergências sobre gosto literário existiam, mas não foram apresentadas por Tolkien como a causa do afastamento entre os dois.








