A Hasselblad X2D ganhou uma função inesperada em um experimento de pesquisa de firmware: executar Doom. Na adaptação, o obturador da câmera dispara a arma, enquanto a tela sensível ao toque controla a direção do personagem. O projeto também inclui som e movimentos feitos ao deslizar o dedo.
Radium Wang mantém no GitHub um repositório dedicado à investigação do sistema X da Hasselblad. O trabalho com a X2D 100C explora recursos escondidos no firmware, como menus extras, foco contínuo, detecção de rosto e olhos, uma interface de depuração de fábrica e um mascote transparente na tela. O vídeo do jogo funcionando foi publicado no Reddit.
A câmera tem sensor de 100 megapixels, e o modelo mais recente custa quase US$ 8 mil, cerca de R$ 40 mil sem impostos. Wang afirma que o projeto oferece apenas código-fonte, ferramentas offline, testes e resultados de pesquisa. Firmware original, bibliotecas e modelos da fabricante não fazem parte do material.
A experiência tem limitações. “Jogar numa tela de 3,6 polegadas não é exatamente divertido. Mas, claro, essa nem de longe é a proposta”, diz Wang. A ideia é demonstrar que um equipamento inesperado consegue executar o jogo, não transformar a câmera em uma plataforma de jogos.
Doom já foi adaptado para dispositivos de perfis bem diferentes. Entre os exemplos estão uma Canon EOS 550D, uma panela elétrica, um satélite em órbita da Agência Espacial Europeia e um adaptador Lightning para HDMI da Apple. A Canon era uma DSLR de entrada de 2010, com sensor de 18 megapixels.
Lançado pela id Software em 1993, Doom exigia, no mínimo, processador Intel 386, 4 MB de RAM e placa VGA. A partir daí, “roda Doom?” passou a ser usado pela comunidade como um teste para hardware incomum. Para repetir o experimento na Hasselblad, é preciso baixar o repositório e seguir as instruções de Wang, assumindo o risco de mexer no equipamento.








