Michel Temer construiu sua trajetória política no centro, com foco na articulação institucional e na formação de acordos. Na Presidência da República, porém, adotou uma agenda econômica associada à centro-direita, marcada pelo controle de gastos e por reformas estruturais.
A posição de Temer não se encaixa totalmente nos rótulos tradicionais de direita e esquerda. Sua atuação no MDB foi baseada no pragmatismo e na busca por governabilidade. O partido, criado como oposição consentida durante o regime militar, tornou-se uma legenda ampla, com correntes progressistas e conservadoras.
Como presidente da Câmara dos Deputados e presidente nacional do MDB, Temer atuou como negociador entre diferentes setores. Esse perfil ajudou a explicar sua escolha como vice-presidente nas chapas do PT em 2010 e 2014. A aliança combinava a estrutura regional do MDB com a capacidade de diálogo de Temer com parlamentares de centro e centro-direita.
Agenda econômica no governo
Após o impeachment de Dilma Rousseff, Temer assumiu a Presidência em 2016 com base nas diretrizes do documento Uma Ponte para o Futuro, lançado pelo MDB no final de 2015. O programa defendia redução do tamanho do Estado, ajuste fiscal, mudanças no orçamento e reformas estruturais.
Entre as principais medidas do período esteve a aprovação da Emenda Constitucional do Teto de Gastos, a PEC 55. A regra limitou por vinte anos o crescimento das despesas do governo federal à variação da inflação.
O governo também aprovou a Reforma Trabalhista de 2017. A mudança ampliou a possibilidade de acordos entre patrões e empregados prevalecerem sobre a legislação em alguns pontos e regulamentou a terceirização irrestrita. As medidas receberam apoio do setor empresarial e do mercado financeiro e foram criticadas por partidos de esquerda.
Críticas aos rótulos ideológicos
Temer rejeita a divisão rígida entre direita e esquerda. O ex-presidente afirma que esses rótulos perderam sentido prático após a queda do Muro de Berlim e passaram a ser usados como instrumentos eleitorais.
Em seus discursos, defende que os governos sejam avaliados por resultados, como a oferta de serviços básicos, o controle da inflação e a geração de empregos. Também critica a polarização e defende uma frente de centro e centro-direita baseada em responsabilidade fiscal e estabilidade institucional.
Assim, a trajetória de Temer reúne uma atuação partidária de centro pragmático e políticas econômicas de centro-direita. O próprio ex-presidente, no entanto, prefere se afastar das classificações ideológicas tradicionais.








