SÃO PAULO — Simone Tebet se apresenta como uma política de centro-direita na economia e de centro-esquerda em temas sociais e de direitos humanos. A definição resume uma trajetória marcada pela defesa da responsabilidade fiscal, do setor produtivo e de políticas de inclusão social.
Filiada ao MDB durante parte da carreira, Tebet foi prefeita de Três Lagoas, vice-governadora e senadora por Mato Grosso do Sul. Nesse período, apoiou reformas trabalhista e previdenciária, além de incentivos à iniciativa privada e ao agronegócio.
A atuação na CPI da Pandemia, em 2021, marcou um afastamento da direita mais radical. A cobrança por vacinas e a postura nas investigações aproximaram a política de setores progressistas.
Atuação no governo Lula
Como ministra do Planejamento e Orçamento, cargo ocupado até março de 2026, Tebet participou da aprovação do novo arcabouço fiscal, criado para substituir o antigo teto de gastos. No governo Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu o controle das contas públicas e afirmou que políticas sociais dependem de credibilidade fiscal.
Ao mesmo tempo, trabalhou pela recomposição de verbas para saúde e educação, vinculando os repasses à previsão de arrecadação do Estado. Também apoiou a reforma tributária e a adoção de medidas voltadas a grupos historicamente vulnerabilizados, como mulheres e povos originários.
Nas questões sociais e de costumes, a ex-ministra defende direitos humanos, liberdades individuais, proteção às mulheres e inclusão social. Ela também apoia a reforma agrária em terras devolutas e improdutivas, embora mantenha ligação política com o agronegócio.
Disputa pelo Senado em São Paulo
Tebet transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo e pretende disputar o Senado em 2026. A candidatura busca ocupar o espaço de centro e dialogar com setores empresariais e trabalhadores da região metropolitana.
Na disputa pelas duas vagas, ela enfrenta Guilherme Derrite e divide o eleitorado progressista com Marina Silva. A estratégia é se apresentar como uma alternativa moderada entre a direita conservadora e a centro-esquerda.
No início de 2026, Tebet deixou o MDB e se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). A mudança consolidou uma aliança com o vice-presidente Geraldo Alckmin e garantiu o apoio da chapa governista à candidatura.
Parte da oposição conservadora classifica Tebet como candidata de esquerda por sua participação na base aliada do governo petista. A própria política, porém, mantém a definição de centro-direita na economia e centro-esquerda nas pautas sociais.








