O governo de Giorgia Meloni se tornou nesta sexta-feira (4) o mais duradouro dos 80 anos da Itália republicana. A coalizão de direita chegou a 1.413 dias no poder, superando o segundo governo de Silvio Berlusconi, que comandou o país entre 2001 e 2005.
A marca será celebrada em Bari, no sul da Itália, em um evento organizado pelo partido Irmãos da Itália. Cerca de 10 mil apoiadores são esperados, além de manifestações contrárias. O discurso de Meloni deve indicar o tom da campanha para as eleições de 2027, ainda sem data definida.
Coalizão unida
A vitória eleitoral de 2022 é apontada como um dos motivos da estabilidade. A coligação formada por Meloni, Matteo Salvini e Berlusconi recebeu 43% dos votos. Desde 2008, não havia uma vitória tão clara para a formação de um governo.
Nos 16 anos anteriores, a Itália teve nove governos e oito primeiros-ministros diferentes. Os eleitores foram às urnas quatro vezes, enquanto crises internas deram origem a novas coalizões sem consulta popular. Foi nesse contexto que surgiu o governo de Mario Draghi, antecessor de Meloni.
Desde a posse da primeira-ministra, Berlusconi morreu e Antonio Tajani assumiu o comando do Força Itália. Salvini, da Liga, perdeu força. Tajani representa a centro-direita e é mais favorável à integração europeia; Salvini, de ultradireita, se opõe ao apoio à Ucrânia, em posição diferente da de Meloni.
“Ela sabe comandar a coalizão”, afirma Gianfranco Pasquino, professor emérito de ciência política da Universidade de Bolonha. Para ele, os partidos permanecem juntos porque perder o poder poderia favorecer a centro-esquerda.
Balanço do governo
Meloni também mudou sua imagem de candidata eurocética para líder conservadora pragmática. Segundo Lorenzo Castellani, cientista político e professor da universidade Luiss Guido Carli, em Roma, ela adotou uma postura prudente na política fiscal e nas relações internacionais.
O governo aprovou novas tipificações de crimes e penas mais duras na área de segurança. Por outro lado, não avançou na ampliação de direitos civis e sociais. A Itália aparece entre os países com pior posição no ranking europeu sobre direitos e discriminação contra pessoas LGBTQIA+.
A taxa de desemprego caiu para 5,8%, dois pontos percentuais abaixo do índice registrado quando Meloni assumiu. A Itália também recebeu € 194 bilhões (R$ 1,1 trilhão) da União Europeia para o plano de recuperação pós-pandemia.
O crescimento do PIB, porém, deve ficar em 0,5% neste e no próximo ano, abaixo da previsão para a zona do euro. Na avaliação da população, violência e saúde são os principais problemas, com 38% e 34%, respectivamente.
Os desembarques de imigrantes em situação irregular pelo Mediterrâneo caíram 58% entre 2023 e 2025. No ano passado, entretanto, foram registradas mais de mil mortes e desaparecimentos em águas italianas.
Meloni ainda enfrenta dificuldades para aprovar suas reformas. A primeira-ministra foi derrotada em um referendo sobre o Judiciário, em março deste ano, e desacelerou a proposta de eleição direta para o cargo de primeiro-ministro. Divergências entre os partidos podem afetar a coalizão.
Quase quatro anos depois, o partido de Meloni mantém 26% das intenções de voto. A legenda também enfrenta a concorrência do movimento de ultradireita lançado pelo ex-general Roberto Vannacci, que chegou ao quarto lugar nas pesquisas.








