SÃO PAULO — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, prometeu ampliar o sistema penitenciário, endurecer penas e iniciar em janeiro uma ofensiva contra organizações criminosas caso seja eleito. Ele afirmou que considera insuficiente o modelo de segurança pública de El Salvador para o que pretende implementar no Brasil.
As declarações foram feitas nesta terça-feira (13), durante um encontro com empresários e representantes de entidades do setor produtivo no Clube Atlético Monte Líbano, em São Paulo. O evento foi promovido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Flávio disse que pretende criar mais de meio milhão de vagas em presídios. Também defendeu a castração química e o aumento do tempo de prisão para estupradores e abusadores de mulheres e crianças. Ao citar o senador eleito Guilherme Derrite (PL-SP), que estava no evento, afirmou: “El Salvador é pouco”.
O país é governado por Nayib Bukele. Em março de 2022, El Salvador adotou um regime de exceção que suspendeu garantias constitucionais e ampliou a atuação das forças de segurança contra gangues. A política incluiu prisões em massa de suspeitos de ligação com organizações criminosas. Um dos símbolos do modelo é o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), com capacidade anunciada para 40 mil detentos.
Penas e proteção às mulheres
O candidato também declarou que pretende buscar apoio no Congresso Nacional para estabelecer pena mínima de oito anos de prisão para roubo de celulares. A proposta incluiria trabalho obrigatório para os condenados.
Na proteção às mulheres, Flávio prometeu ampliar o monitoramento de agressores que estejam submetidos a medidas protetivas. Segundo ele, a aproximação do agressor deverá acionar a polícia, com equipes para conter o suspeito e atender a vítima.
Ele também anunciou a criação de unidades da Casa da Mulher Brasileira para acolher mulheres que não conseguem deixar o ambiente de violência por falta de recursos financeiros. Os espaços atenderiam vítimas que precisam sair de casa com os filhos, mas não conseguem pagar aluguel ou sustentar a família sozinhas.
Câmeras e organizações criminosas
Flávio afirmou que pretende criar o programa Smart Brasil, inspirado no Smart Sampa, sistema de monitoramento da cidade de São Paulo. A proposta prevê instalar mais de 2 milhões de câmeras com tecnologia de identificação e integrar sistemas de segurança de municípios e Estados.
De acordo com o candidato, a integração permitiria localizar e prender suspeitos identificados em outras localidades do país. Ele também disse que pretende firmar parcerias com prefeitos e governos estaduais.
Caso vença a eleição, Flávio afirmou que começará em janeiro as medidas contra organizações criminosas. Ele declarou que esses grupos serão tratados como “narcoterroristas”.








