A Eurasia Group estima em 55% a chance de vitória de Lula na eleição presidencial de 2026, apesar de dois dos três modelos usados pela consultoria apontarem para um cenário mais favorável à oposição. A vantagem atribuída ao atual presidente é considerada apertada.
A análise combina aprovação do governo, principais preocupações dos eleitores e média das pesquisas de intenção de voto. No segundo turno, os levantamentos indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Os três critérios
O primeiro modelo compara a aprovação presidencial com um banco de dados de mais de 500 eleições realizadas nos últimos 40 anos. De acordo com Leonardo Meira Reis, analista político da Eurasia, candidatos à reeleição com pelo menos 40% de aprovação vencem 58% das vezes. Lula aparece hoje com aprovação em torno de 45%, o que o colocaria como favorito nesse critério.
O segundo modelo avalia quais candidatos são considerados mais confiáveis para lidar com os principais problemas do país. Em 80% das eleições analisadas, vence o candidato visto como mais crível nesses temas. Hoje, a vantagem nesse quesito está com a oposição.
Corrupção, segurança pública, saúde e custo de vida estão entre as preocupações citadas por Reis. Corrupção e segurança pública aparecem como os principais fatores da disputa. Nesse modelo, Flávio Bolsonaro seria o favorito.
Já o terceiro critério reúne a média dos institutos e das intenções de voto, com atenção especial ao segundo turno. Para a consultoria, as diferenças recentes são pequenas demais para indicar uma vantagem clara.
A Eurasia afirma que, em uma disputa equilibrada, costuma favorecer o candidato que ocupa a Presidência e tenta a reeleição. A avaliação considera o acesso à estrutura do governo, a capacidade de influenciar o debate público e a possibilidade de anunciar e implementar medidas.
Pesquisas e ajuste fiscal
Reis também aponta dificuldades para medir a participação de eleitores conservadores e o impacto da abstenção. Entre os fatores citados estão trabalho no dia da eleição, idade, questões de saúde e desânimo político. Os institutos vêm recalibrando seus modelos, e a expectativa é de um intervalo de erro entre 1 ponto percentual e 1,5 p.p.
O analista afirma ainda que deverá haver algum ajuste fiscal no próximo governo, independentemente da vitória de Lula ou de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, assessores dos dois lados defendem medidas para permitir ao Banco Central cortar os juros mais rapidamente. A principal diferença seria a velocidade desse ajuste.







