A abertura de duas cafeterias da Starbucks em Xinjiang gerou críticas de autoridades e organizações de defesa dos direitos humanos nos Estados Unidos. As unidades começaram a funcionar na terça-feira (29), em Urumqi, capital regional, em uma iniciativa celebrada pela imprensa estatal chinesa.
John Moolenaar, presidente do Comitê da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre a China, classificou a expansão como "moralmente indigno". Para ele, a decisão "vincula uma marca americana icônica à brutal campanha do PCC contra os uigures". PCC é a sigla usada para Partido Comunista Chinês.
Reação de grupo uigur
O Congresso Mundial Uigur também criticou a empresa. O grupo afirmou que a Starbucks "mais uma vez escolhe ignorar uma grave situação de direitos humanos (...) ao abrir lojas na região". Em uma publicação nas redes sociais, acrescentou que empresas não deveriam contribuir para uma economia onde o trabalho forçado imposto pelo Estado continua sendo uma preocupação.
Xinjiang é alvo de denúncias de abusos contra a população muçulmana uigur e outras minorias. Em 2022, a ONU alertou para possíveis crimes contra a humanidade na região, incluindo a detenção de mais de um milhão de pessoas em campos de reeducação. Organizações de defesa dos direitos humanos dizem que graves abusos ainda ocorrem, entre eles o trabalho forçado.
O governo chinês nega as acusações. Também afirma que suas políticas em Xinjiang eliminaram o extremismo e contribuíram para o desenvolvimento econômico. O país investiu significativamente na região, que foi uma das áreas de crescimento mais rápido da China em 2025, além de promover o turismo.
O governo dos Estados Unidos impôs sanções em resposta aos supostos abusos. Outras marcas ocidentais também foram criticadas por seus vínculos com Xinjiang.
No ano passado, a Starbucks anunciou a venda de uma participação majoritária de suas operações na China para o fundo de investimentos Boya Capital. A expectativa era revitalizar os negócios no segundo mercado mais importante da empresa.









