A diferença entre as visões de evangélicos e católicos sobre Nossa Senhora voltou ao debate após a circulação de uma notícia falsa envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) e Nossa Senhora Aparecida, considerada padroeira do Brasil.
Desde sexta-feira (24), a campanha do senador tenta conter os impactos da falsa informação de que ele retiraria o título de padroeira brasileira da santa caso fosse eleito. O caso foi explorado por aliados de Lula (PT) e chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Evangélicos acreditam na Virgem Maria, mas não reconhecem nela a mesma autoridade espiritual atribuída pela Igreja Católica. Para Magali Cunha, pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (Iser), Maria é vista na tradição evangélica como mãe de Jesus e serva de Deus.
“Não é compreendida como ‘mãe de Deus’ nem como intercessora das pessoas diante do Filho de Deus”, afirma Magali. Segundo ela, a doutrina protestante não considera existir mediação entre Deus e os seres humanos.
Origem da divergência
A discordância remonta ao surgimento do movimento protestante, no século 16. A interpretação está ligada à passagem do livro de Êxodo sobre os mandamentos revelados a Moisés, incluindo a proibição de outros deuses, esculturas e culto a imagens.
Na visão católica, a regra se refere à representação de Deus como objeto de adoração, e não a imagens religiosas de santos, anjos ou pássaros. Para os evangélicos, os santos reconhecidos pelos católicos são cristãos usados como exemplos de fé. A veneração dessas figuras é entendida como idolatria.
Magali também relaciona a crítica dos reformadores dos séculos 15 e 16 à ideia de que o catolicismo colocaria Deus em segundo plano diante da adoração aos santos.
Disputa política
O debate ganhou força após a lembrança de um projeto apresentado em 2007 pelo pastor e então deputado Victorio Galli para retirar Nossa Senhora do título de padroeira brasileira. A proposta foi arquivada em 2008. 11 anos depois, Galli se tornou assessor do governo Jair Bolsonaro (PL).
Geraldo Alckmin (PSB), candidato à reeleição, escreveu no X que as tradições religiosas seriam protegidas e preservadas durante um eventual governo dele e de Lula. Fernando Haddad (PT), candidato a governador de São Paulo, ironizou o tema após participar de uma missa.
O entorno de Flávio Bolsonaro teme que o episódio tenha efeito semelhante ao “chute na santa”, ocorrido em 1995, quando um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus chutou uma estátua de Nossa Senhora e a insultou em um programa de televisão.








