Democratas da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos preparam uma ampla agenda de fiscalização caso recuperem a maioria nas eleições de novembro. O plano mira Donald Trump, familiares do presidente e integrantes do governo.
Com o controle da Casa, o partido teria mais recursos e equipes para abrir investigações, exigir documentos e convocar autoridades. Também poderia avaliar processos de impeachment contra Trump e membros do gabinete. Hakeem Jeffries, líder democrata e possível futuro presidente da Câmara, afirmou que os responsáveis por prejudicar a população deverão ser responsabilizados.
A estratégia vem sendo construída por meio de cartas enviadas por parlamentares ao governo e de manifestações em processos judiciais. Entre os assuntos em análise estão os ganhos financeiros de Trump e da família desde o retorno do presidente à Casa Branca, em janeiro de 2025.
Os democratas também querem examinar possíveis violações de direitos civis ligadas à morte de americanos que protestavam contra ações do serviço de imigração, além de detenções e deportações de imigrantes para países distantes. O fechamento do Kennedy Center e o encerramento de operações federais, incluindo a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), estão entre os demais temas citados.
Impeachment no radar
Novas suspeitas podem ser incorporadas à agenda. Uma delas envolve o reconhecimento de que parte das despesas de uma festa de casamento de Donald Trump Jr. foi paga por um oligarca russo.
Jamie Raskin, deputado de Maryland e possível presidente da Comissão de Justiça, defendeu prioridade para casos de corrupção sistêmica com impacto financeiro sobre o público e que possam ser enfrentados por medidas legislativas.
Jeffries pode ser pressionado pela ala mais à esquerda a iniciar outro processo contra Trump. No primeiro mandato, o presidente foi alvo de dois impeachments na Câmara, ambos encerrados com absolvição no Senado. A tendência, porém, é que os democratas também concentrem atenção em secretários do governo.
Pete Hegseth, secretário de Defesa, já enfrenta artigos de impeachment apresentados pelo republicano Thomas Massie, relacionados à atuação no Pentágono e à gestão da guerra no Irã.
Jeffries disse que nenhuma ferramenta foi descartada. A Casa Branca deve resistir às investigações, intimações e solicitações de documentos. Empresas e entidades privadas ligadas a possíveis irregularidades também poderão ser investigadas.









