Bono afirmou que Ed Sheeran pediu para não ser envolvido em política durante a gravação de “Yours Eternally”, parceria lançada pelo U2 no EP Days of Ash. A faixa encerra o trabalho e também tem participação de Taras Topolia, músico e soldado ucraniano.
A música é narrada pela perspectiva de um soldado na linha de frente da guerra entre Rússia e Ucrânia. Antes da gravação, Sheeran teria deixado claro a Bono que queria manter sua atuação artística distante de disputas políticas. O vocalista respondeu que o soldado que inspirou a composição admirava o cantor britânico e que ele havia colaborado com a faixa.
Em entrevista à Rolling Stone UK, Bono disse que Sheeran gostava da música e da Ucrânia, mas preferia não assumir envolvimento em controvérsias políticas. O vocalista do U2 reconheceu que respondeu negativamente ao pedido, mas depois admitiu que talvez estivesse blefando.
Debate sobre a turnê
A declaração foi retomada após Macklemore ser retirado da Loop Tour de Sheeran. O rapper havia gritado “Free Palestine” no palco do MetLife Stadium, em Nova Jersey. Finneas, Aaron Rowe e o grupo irlandês Beoga também deixaram a turnê em solidariedade a Macklemore.
Bono evitou concentrar a discussão em Sheeran, Macklemore ou no episódio. Para ele, a relação entre artistas e política envolve forças maiores, como religião e política, e não deve ser tratada como uma cobrança individual.
O baterista Larry Mullen Jr., que voltou ao U2 depois de uma cirurgia no pescoço, defendeu o direito de cada artista decidir se quer se posicionar. Ele também criticou a interferência de proprietários de estádios e promotores no conteúdo apresentado no palco.
Macklemore disse que Robert Kraft, dono do New England Patriots e do Gillette Stadium, teria pressionado Sheeran e ameaçado cancelar a turnê caso o rapper se apresentasse. Mullen Jr. afirmou que o U2 teria encerrado a carreira em “Sunday, Bloody Sunday” se aceitasse esse tipo de controle.
Bono concluiu que ninguém deve ser forçado a adotar uma posição política. Após a polêmica, Sheeran voltou aos palcos, reconheceu ter cometido erros e disse que seus shows tratam de humanidade, não de política.








