Augusto Cury (Avante) atribuiu a estabilização e o recuo nas pesquisas de intenção de voto a ataques nas redes sociais. Entre o último dia de agosto e os primeiros deste mês setembro, o candidato passou de 1% a 2% para até 11% em uma semana. Na semana seguinte, porém, deixou de avançar nos levantamentos.
O médico psiquiatra disse que a alta inicial ocorreu após um movimento de apoio à sua candidatura. Cury negou que o crescimento tenha sido provocado por robôs e afirmou que a reação nas redes atingiu também sua família. “A indústria dos haters entrou pesadamente”, declarou.
Candidato mais rico entre os 13 nomes que disputam o Palácio do Planalto, Cury declarou R$ 242,28 milhões à Justiça Eleitoral. Ele disse que não depende de dinheiro ou prestígio para chegar ao poder e citou sua carreira como escritor, com publicação em mais de 90 países.
O candidato também afirmou que sempre manteve uma vida reservada e que decidiu entrar na política apesar de não buscar o poder. Cury reforçou ser contrário à reeleição e disse que pretende atuar como uma transição política. “Para mim é dor, é sacrifício”, afirmou.
Reformas e segundo turno
Caso seja eleito, Cury disse ter pressa para apresentar reformas nos primeiros 90 dias. Entre as propostas está a mudança do regime presidencialista para o semipresidencialista, com a divisão do poder entre o presidente e um primeiro-ministro. Para ele, “o presidencialismo flerta com o autoritarismo”.
Sobre a disputa pelo segundo turno, Cury afirmou que pretende confrontar principalmente Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O candidato do Avante disse que quer enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e criticou as políticas econômica e educacional do atual governo.
Cury citou dados sobre educação e endividamento das famílias para defender sua candidatura. Segundo ele, quase 80% dos jovens não fazem ensino técnico, enquanto 82% das famílias estão endividadas. O candidato também afirmou que mais de 40% delas estão nessa situação há mais de dez anos, com juros de 4% ao mês e 50% ao ano.
Ele declarou ainda que não pretende fazer carreira política e se apresentou como uma opção de transição entre o que chamou de velho país e um novo modelo. Ao comentar o ambiente político, relatou uma conversa com Ronaldo Caiado (PSD), que teria definido esse ambiente como tóxico.








