BARRETOS — Produtores rurais e participantes da Festa do Peão de Barretos manifestaram apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa eleitoral contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O setor do agronegócio continua alinhado à direita, embora o senador desperte menos entusiasmo que o pai, Jair Bolsonaro.
A festa, realizada no interior de São Paulo, reúne produtores, rodeios e shows de música sertaneja. Em sua 71ª edição, recebeu quase um milhão de visitas durante dez dias. O pecuarista Luiz Mário Pereira viajou 2.000 km de Sergipe para acompanhar o evento e disse que Lula precisa olhar o agronegócio de outra forma. Para ele, Jair Bolsonaro tinha uma atenção maior com os agricultores.
Flávio foi aplaudido ao prometer resgatar o setor durante uma visita à festa, em agosto. Diferentemente do pai, que participou da campanha pela reeleição em 2022, o senador não montou a cavalo na arena. Pereira, que apoia o candidato por ele ser filho do ex-presidente, afirmou: “É a nossa esperança”.
Reclamações contra o governo
Na cidade de Colômbia, vizinha a Barretos, a produtora de cana-de-açúcar Suelen Carlomagno criticou a falta de diálogo com o setor, o aumento de impostos e os juros altos, que teriam tornado os financiamentos inviáveis. Ela também citou empresas em recuperação judicial.
O agronegócio cresceu 11,7% no ano passado, depois de uma queda de 3,2% em 2024. A atividade responde por um quarto do Produto Interno Bruto do país, conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada.
O pecuarista e médico Carlos Roberto dos Santos, de 62 anos, afirmou que o setor tem mais facilidade de diálogo com governos conservadores. Ele exporta a maior parte da carne produzida por seu rebanho de 1.500 cabeças e criticou o aumento da dívida pública desde 2022.
Entre os acampamentos da festa, caminhonetes exibem mensagens contra Lula. Também há uma figura de papelão de Jair Bolsonaro com uma arma de brinquedo. O presidente americano Donald Trump, aliado do ex-presidente, impôs tarifas a produtos agrícolas brasileiros.
Márcio Braga, de 52 anos, deixou uma fazenda no sul do país após secas e dificuldades econômicas. Hoje, vive em Hortolândia, no estado de São Paulo. Ele e a mulher, Rosemary, de 49 anos, dizem que Lula se afastou do agronegócio e esperam que Flávio reforme o país. O senador aparece empatado com o presidente nas pesquisas.









