NOVA YORK — O Uruguai não pretende retomar as relações diplomáticas com a Venezuela enquanto Delcy Rodríguez estiver no poder, afirmou o chanceler Mario Lubetkin. Para ele, a atual líder venezuelana é tão ilegítima quanto o presidente anterior, e a retomada só ocorreria após uma eleição democrática validada por uma corte independente.
Lubetkin disse que o país trabalhará com qualquer vencedor das eleições brasileiras, desde que o processo seja limpo, transparente, democrático e sereno. O ministro também afirmou que é preciso ficar atento ao risco de interferência tecnológica externa, já registrado em outros países.
Mercosul e segurança regional
O chanceler avaliou que uma eventual saída do Brasil do Mercosul não seria simples, por causa dos acordos empresariais e dos mecanismos integrados do bloco. Na visão dele, a medida provocaria perdas importantes para a economia brasileira e deixaria o país mais fraco, sem os demais integrantes da sub-região.
Sobre a possibilidade de Flávio Bolsonaro assumir a Presidência e abandonar o Mercosul, Lubetkin disse esperar que o eventual presidente perceba, durante o governo, que declarações de campanha podem ser impraticáveis na gestão pública.
O Uruguai ocupa a presidência temporária do Mercosul e lidera a Celac, que reúne países da América Latina e do Caribe. O chanceler defendeu que os países da região atuem juntos contra o narcotráfico e outros problemas de segurança.
O país não foi convidado para o Escudo das Américas, iniciativa dos Estados Unidos. Ainda assim, participa do Compromisso de Santiago, lançado pelo Chile. O grupo reúne Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai. Lubetkin afirmou que todos os países da América do Sul deveriam participar do processo.
Relações internacionais
Durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, a Celac realizou quatro reuniões. Também foram discutidos planos de ação com a Índia, a União Africana e a União Europeia. A primeira cúpula presidencial Celac-União Europeia está prevista para junho, em Bruxelas.
O acordo Mercosul-União Europeia entrou em vigor em 1º de maio. Segundo Lubetkin, o Uruguai já economizou US$ 35 milhões com a redução de tarifas e as cotas de importação e exportação. Ele estima que a economia passe de US$ 100 milhões em um ano.
Sobre Cuba, o chanceler classificou o momento como o mais grave e defendeu diálogos entre os Estados Unidos e Cuba, além de uma negociação dentro da sociedade cubana. O Uruguai enviou leite em pó junto com os mexicanos e se declarou disposto a enviar painéis solares.








