A preparação esportiva passou a incluir um novo componente além de força, resistência, técnica e tática: o trabalho do psicólogo do esporte. Clubes e seleções incorporaram esses profissionais para desenvolver recursos mentais e apoiar atletas na rotina competitiva.
A atuação não se limita a momentos de crise. O psicólogo pode trabalhar de forma preventiva temas como controle da ansiedade, preparação para competições, adaptação depois de erros ou derrotas, relacionamento dentro da equipe e tomada de decisões sob pressão.
Pressão e desempenho
Atletas convivem com cobrança por resultados, medo de perder espaço, críticas públicas, exposição nas redes sociais e incertezas sobre a carreira. Carla Di Pierro, psicóloga do Comitê Olímpico do Brasil, destaca que a exposição digital e a cobrança constante ampliaram as pressões fora do momento da competição.
Sentir ansiedade antes de uma prova ou partida é uma reação comum. A preocupação aparece quando essas emoções começam a prejudicar a vida do atleta ou sua capacidade de competir.
Em momentos decisivos, como uma final olímpica, uma disputa de pênaltis ou uma última tentativa, o trabalho psicológico busca ajudar o atleta a manter a atenção na tarefa. Também pode contribuir para a recuperação da confiança depois de uma derrota, de um erro importante ou do retorno de uma lesão.
Nos esportes coletivos, comunicação, liderança e relacionamento entre atletas e comissão técnica também fazem parte do processo.
Uma parte do treinamento
A psicologia do esporte não garante vitórias. O resultado depende de fatores como preparação física e condições da competição. O profissional ajuda o atleta a desenvolver habilidades para enfrentar esses desafios, como parte de uma estrutura maior.
A psicologia esportiva pode envolver preparação mental voltada ao desempenho e ao ambiente competitivo. Já a psicoterapia trabalha questões emocionais e psicológicas mais amplas, relacionadas ou não ao esporte. Em alguns casos, os profissionais podem atuar em conjunto.
Para Carla Di Pierro, do COB, o cuidado psicológico deve começar antes de uma situação de sofrimento intenso, com prevenção e suporte à rotina de alto rendimento.
Esses conceitos também podem ser aplicados por praticantes recreativos, que enfrentam medo de falhar e pressão por resultados. A preparação física, técnica e emocional passou a ser vista de maneira integrada: a mente não substitui o treino, mas também faz parte dele.









