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Mulheres ajustam rotina e rotas para correr com mais segurança
Esportes

Mulheres ajustam rotina e rotas para correr com mais segurança

Pesquisa britânica mostra como medo, assédio e falta de infraestrutura mudam a experiência das corredoras em espaços públicos.

Para muitas mulheres, a corrida começa antes do primeiro quilômetro. A escolha do horário, da rota e do local depende também de iluminação, movimento nas ruas e da possibilidade de encontrar ajuda caso algo aconteça.

Um estudo publicado no British Journal of Criminology em 2026 reuniu ocorrências policiais, questionários e diários de corredoras. Entre as 485 participantes que responderam sobre segurança, 82% disseram se preocupar com a própria integridade durante os treinos. Além disso, 68% relataram algum tipo de abuso enquanto corriam.

Os relatos incluíram comentários sobre o corpo, buzinas, gritos, perseguições, abordagens indesejadas, bloqueio de passagem, exposição, intimidação por veículos e agressões físicas e sexuais. Entre as mulheres que sofreram algum abuso, 95% não denunciaram os episódios à polícia. Algumas consideraram as situações pequenas demais; outras disseram não ter provas ou temer que não fossem levadas a sério.

O treino vira cálculo de risco

A pesquisa mostrou que muitas corredoras analisam horários, locais e características do percurso antes de sair. Algumas preferem regiões movimentadas, evitam caminhos isolados ou deixam de correr em determinados períodos. A falta de segurança pode reduzir as opções para quem precisa treinar antes ou depois do trabalho, principalmente quando há pouca luz e menos pessoas nas ruas.

Depois de uma experiência negativa, algumas mulheres passam a correr somente durante o dia, procuram companhia, mudam de rota, reduzem a frequência dos treinos ou deixam temporariamente a corrida ao ar livre. O estudo também identificou queda na confiança, na sensação de liberdade e no prazer durante a atividade.

A infraestrutura influencia essa experiência. Iluminação, calçadas em boas condições, travessias sinalizadas, circulação de pessoas e acesso a estabelecimentos podem fazer diferença para quem corre. A segurança, portanto, não depende apenas do celular, do relógio ou dos fones usados pela atleta.

Compartilhar a localização, manter o telefone carregado, usar recursos de alerta e ajustar o volume dos fones podem ajudar. Se uma corredora perceber uma ameaça, pode mudar o trajeto, procurar um comércio ou outro local movimentado, pedir ajuda a alguém de confiança e acionar os serviços de emergência quando houver risco imediato. Essas medidas não devem transferir para a mulher a responsabilidade pelo assédio.

Iniciativas e responsabilidade coletiva

Grupos de corrida podem formar redes de apoio, mas correr acompanhada não deve virar uma exigência. A pesquisa defende mudanças culturais e estruturais, com prevenção, educação de meninos e homens e canais de acolhimento.

Eventos esportivos também podem incluir medidas de proteção. Em Santos, uma corrida feminina realizada em 2025 teve agentes de trânsito, Guarda Municipal e Polícia Militar acompanhando um percurso de sete quilômetros. Em Macapá, equipes da Secretaria da Mulher foram distribuídas em pontos estratégicos durante uma corrida de rua realizada em 2026, com ações de prevenção ao assédio e orientação às participantes.

Em março de 2026, uma etapa especial do Circuito Popular de Corrida de Rua reuniu 1.200 mulheres no Parque Ecológico do Tietê, em uma prova de cinco quilômetros. O Circuito Mais Mulher também combina corridas com ações relacionadas à saúde, ao bem-estar e à segurança no cotidiano feminino.

Buzinar, gritar, fazer comentários sexualizados, seguir uma corredora, bloquear sua passagem ou tocá-la sem consentimento não são partes normais do esporte. A roupa esportiva também não causa assédio nem justifica qualquer abordagem.

Correr pode representar autonomia, saúde, lazer e liberdade. Para que continue sendo uma escolha sobre esporte e prazer, as ruas precisam ser ocupadas sem que as mulheres tenham de administrar sozinhas o medo e o risco.

Texto produzido pela Redação Olhar Agora com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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