Dave Mustaine afirma que Steve DiGiorgio aprendeu e regravou todas as linhas de baixo do novo álbum do Megadeth em cerca de duas semanas. O músico do Testament foi chamado depois que David Ellefson deixou a banda, em meio à divulgação de vídeos sexualmente explícitos na internet.
O relato está no livro de memórias In My Darkest Hour: A Memoir. O episódio aconteceu durante a preparação de The Sick, the Dying… and the Dead!, lançado em 2022, enquanto Mustaine lidava com as consequências do diagnóstico de câncer recebido em 2019 e a pandemia de Covid-19 dificultava as gravações.
A troca no baixo
Em 10 de maio de 2021, vídeos de Ellefson se masturbando apareceram no Twitter. Mustaine diz que soube do caso pela internet e que, naquele momento, sua relação com o baixista já estava desgastada.
O vocalista conta que os dois tinham uma história de quase 40 anos, com períodos de parceria, conflitos e afastamentos. Ellefson havia retornado ao Megadeth em 2010, depois de uma separação marcada por um processo judicial movido em 2004.
Poucos dias depois da divulgação dos vídeos, a banda comunicou a saída do baixista. Em 24 de maio, Mustaine publicou uma declaração informando que Ellefson não fazia mais parte do Megadeth e que a parceria entre os dois estava encerrada.
Como Ellefson havia participado de todo o álbum, a banda decidiu retirar suas linhas de baixo e gravá-las novamente. Mustaine e o produtor Chris Rakestraw avaliaram candidatos, e DiGiorgio foi escolhido para assumir o trabalho em caráter temporário, sem turnês ou vaga permanente na formação.
O baixista do Testament recebeu a tarefa de aprender mais de uma dúzia de faixas que nunca tinha ouvido. Mesmo com o prazo curto, concluiu as regravações em cerca de duas semanas.
Gravações durante a Covid
A pandemia também alterou o modo de produção do disco. Com as turnês suspensas, o grupo concentrou esforços no álbum. Mustaine relata que a equipe usava máscaras, higienizava as mãos, mantinha o estúdio limpo e restringia o acesso ao local.
Dirk Verbeuren gravou sua parte durante a Covid. Como não sabia se era seguro viajar de avião e Mustaine havia acabado de passar por um tratamento contra o câncer, o baterista dirigiu de Los Angeles a Nashville. A viagem levou três dias, três dias e meio, e ele registrou a bateria depois de chegar.
Segundo Verbeuren, o distanciamento impediu que os integrantes trabalhassem juntos como em gravações anteriores. O baterista citou Youthanasia como um álbum em que os quatro músicos tocaram juntos, mas disse que a tecnologia e a distância entre as bandas tornaram o trabalho separado mais comum.
Na primavera de 2021, a maior parte do álbum estava pronta e o grupo se preparava para a divulgação. Mustaine relata que a banda havia atravessado o tratamento contra o câncer e a pandemia, mas a saída de Ellefson criou uma nova etapa de trabalho antes do lançamento.








