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John Wilson leva concreto, Hallmark e Michael Imperioli ao cinema
Foto: Reprodução/TMDB
Entretenimento

John Wilson leva concreto, Hallmark e Michael Imperioli ao cinema

Em seu primeiro longa, o cineasta transforma uma rachadura em um prédio numa investigação sobre concreto, repetição e criação.

John Wilson transformou uma rachadura na fundação do prédio de apartamentos que possui em Ridgewood, no Queens, em ponto de partida para seu primeiro longa-metragem. Em The History of Concrete, o cineasta investiga o material e usa o tema para falar sobre ciclos de renovação, consumo de entretenimento e os caminhos inesperados de sua própria produção.

O filme estreou no Festival de Sundance no início deste ano. O lançamento nos Estados Unidos está previsto para 18 de setembro, mas ainda não há data para a chegada ao Brasil. A produção foi adquirida pela Bronxburgh e pela Central Pictures, de Josh Safdie.

Do concreto aos filmes da Hallmark

Wilson começou a desenvolver o projeto depois de decidir estudar a falha na fundação de seu imóvel. Em vez de chamar um empreiteiro, buscou livros sobre concreto para entender por que o material se deteriora. A pesquisa levou à reflexão sobre a repetição e sobre a possibilidade de esse comportamento funcionar como uma forma de manter as pessoas ocupadas ou produtivas.

A investigação inclui um workshop de roteiro de filmes da Hallmark, apresentado por Wilson como um exemplo de padrões repetidos no consumo de entretenimento. O filme também acompanha a Self-Transcendence 3,100 Mile Race, corrida a pé realizada anualmente no Queens. Os participantes percorrem o mesmo quarteirão durante 52 dias seguidos. A prova foi criada em 1997 pelo guru espiritual Sri Chinmoy, que morreu.

A produção ainda passa por Roma, para mostrar a construção de concreto mais antiga existente; Las Vegas, durante uma convenção da indústria; Los Angeles, onde Wilson já iria após seu programa ser indicado ao Emmy; e Ohio, perto da estrada de concreto mais antiga dos Estados Unidos.

Entre os entrevistados está Michael Imperioli, de Família Soprano e frequentador de Ridgewood, em Nova York. Também aparece um homem que trabalha removendo chicletes das calçadas. Cada encontro amplia a investigação sobre o concreto e sobre o cotidiano.

Um músico encontrado por acaso

Na metade do filme, um executivo sugere que Wilson faça um documentário centrado em um músico. Após procurar sem sucesso, o diretor conhece Jack Macco em uma loja de bebidas, onde o músico distribuía amostras grátis de tequila.

Wilson passou um ano e meio acompanhando Macco em apresentações em bares de Long Island e festivais em Montauk. As conversas sobre vida, paixão e perda não tratam diretamente do concreto, mas funcionam como contraponto à insegurança do cineasta. Para Wilson, o otimismo de Macco contrastava com suas próprias dúvidas sobre o trabalho.

A estrutura lembra How To With John Wilson, série lançada em 2020. Os episódios começam com um tutorial e seguem por assuntos diferentes antes de voltar ao tema inicial. Em menos de 30 minutos, um episódio sobre reciclagem de pilhas passa por reencarnação, segurança de garis, brinquedos perigosos, filmes de Natal, bandeiras nazistas e lixo radioativo.

No longa, esse desvio entre assuntos ganha mais espaço. Wilson afirma que apresentou o filme como um documentário convencional sobre concreto, mas com mudanças inesperadas. A A24 recusou a proposta porque já tinha outro filme sobre o tema previsto para lançamento.

Gravações sem arquivo organizado

Grande parte das imagens foi registrada com uma câmera Sony FS5. Wilson diz que filmava diariamente e colocava o material bruto em uma única sequência cronológica. Depois, reunia os trechos favoritos sem um sistema definido. Quando enfrentava um bloqueio criativo, revia as imagens até encontrar algo que pudesse usar.

Entre as cenas estão um homem tocando um piano de brinquedo minúsculo na rua e uma lata de cerveja presa à lateral de uma prateleira. Para Wilson, essas imagens não precisam servir à divulgação de nada. Ele critica vídeos feitos com celulares que colocam os próprios criadores no centro da cena e defende a gravação como uma prática sem finalidade imediata.

“Estou sempre gravando sem saber para quê”, afirma Wilson. Para ele, seguir os próprios instintos e registrar o que parece interessante pode ser uma prática contínua, sem começo ou fim.

Texto produzido pela Redação Olhar Agora com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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