Fran Gil lança hoje, 16 de setembro, o álbum Onda, criado ao longo de três anos de produção. O disco tem 11 faixas e reúne experiências ligadas à depressão, à meditação, às viagens ao Japão e à Índia e à relação com a mãe, Preta Gil, que morreu antes do lançamento.
O anúncio do trabalho foi feito em 8 de agosto, data em que Preta Gil completaria 52 anos. Fran contou que sentiu vontade de transformar o álbum em um presente para a mãe. As músicas foram as últimas composições dele que ela ouviu, enquanto o disco dos Gilsons não chegou a ser escutado por ela.
“Eu penso nela o tempo todo em cada processo desses”, afirmou Fran Gil.
Entre introspecção e autoestima
O álbum nasceu durante um período de mudanças na vida do artista. A rotina de shows com os Gilsons, ao lado de José e João Gil, alternava apresentações para grandes públicos com momentos sozinho em quartos de hotel. Nesse contexto, ele recebeu o diagnóstico da mãe e enfrentou uma depressão.
Fran passou a praticar yoga, meditação e esportes. Segundo ele, essas atividades ajudaram no processo de recuperação e também contribuíram para uma nova relação com a própria autoestima e sexualidade.
O título do disco representa os diferentes movimentos desse período. As faixas passam por introspecção, vulnerabilidade e tristeza, mas também pela força de enfrentar a depressão. Para Fran, a vida é marcada por mudanças constantes, e aprender a lidar com elas faz parte da travessia.
Pela primeira vez, o artista também assumiu a produção musical de um disco. O processo foi marcado pelo perfeccionismo e se estendeu por três anos. Algumas músicas, segundo ele, tinham até cinco anos de composição. A conclusão só veio depois de pessoas próximas insistirem para que o álbum fosse lançado.
Mistura de referências
Musicalmente, Onda atravessa MPB, samba, música brasileira contemporânea, rap e pagode. Fran diz que buscou manter uma linha comum entre as faixas, mesmo com a diversidade de gêneros.
As referências incluem BK’, Kendrick Lamar, Aminé, Kaytranada, Péricles, Júlia Mestre, Ana Frango Elétrico e Bruno Berle. As viagens ao Japão e à Índia também aproximaram o artista da arquitetura de Tadao Ando e de filosofias orientais, influências que ele levou para o som.
As participações foram escolhidas depois que o disco já estava gravado. Péricles entrou no projeto a partir da relação construída com Fran e Preta Gil. BK’ foi convidado após um encontro no estúdio, quando os dois conversaram sobre a vida.
O clipe de “Reconstruir” também se conecta à viagem à Índia, planejada anteriormente por Fran e sua mãe. Para o artista, o novo trabalho abre uma fase diferente, com uma sonoridade mais orgânica e músicos gravando juntos.
Fran afirma que pretende levar essa mudança para os shows e trabalhar no palco com mais liberdade. A travessia, segundo ele, continua porque ainda há muito a aprender no caminho.








