Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada, que as doações de R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas e de R$ 3 milhões para Jair Bolsonaro, em 2022, foram uma negociação de propina. O ex-banqueiro está preso no escândalo do Banco Master.
A proposta foi negada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), sob a justificativa de ausência de fatos novos. O relato também envolve Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como o maior doador dos políticos naquele ano.
Segundo Vorcaro, os valores seriam contrapartidas financeiras de um suposto ajuste com Gilberto Kassab, presidente do PSD e ex-secretário de Governo e Relações Institucionais na gestão de Tarcísio, para manter o Credcesta no governo paulista.
Relato sobre o Credcesta
Na tentativa de delação, Vorcaro disse que Augusto Lima, sócio do banco responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, buscou garantir a continuidade do negócio com o governo de São Paulo diante da provável eleição de Tarcísio.
O pagamento seria feito inicialmente em dinheiro. Ainda conforme o depoimento, Kassab ou seus interlocutores teriam informado a Lima que era necessário cumprir um compromisso com partidos parceiros e levantar recursos por meio de doações oficiais.
Vorcaro pediu para depor ao gabinete do ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal (STF). A oitiva ocorreu na quinta-feira (27/8), na penitenciária da Papudinha, conduzida por João Azambuja, juiz auxiliar do gabinete. Dois advogados do banqueiro, Daniel Bialski e Engels Muniz, além de um integrante do Ministério Público, acompanharam o depoimento.
Negativas
Kassab classificou o relato como “absolutamente fantasioso” e negou ter tratado de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro. Ele também afirmou que não recebeu valores em espécie e que não participou de doações feitas por Vorcaro, Lima ou Thiago Botelho.
A assessoria de Tarcísio disse que a campanha teve mais de 600 doadores, seguiu a legislação eleitoral e teve as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral. O governador negou vínculo com o doador citado e afirmou que não tinha conhecimento de eventuais condutas alheias à campanha.
Sobre o Credcesta, a assessoria informou que o credenciamento da PKL One Participações S.A. como consignatária ocorreu em maio de 2022, durante a gestão anterior. Segundo a nota, o credenciamento não é contrato com o Estado nem envolve repasse de dinheiro público.
A defesa de Augusto Lima não comentou e classificou as informações como absurdas.
O governo de São Paulo negou qualquer irregularidade ou favorecimento no credenciamento da PKL Credcesta. A gestão Tarcísio afirmou que o procedimento é vinculado e deve ser concedido quando a instituição cumpre os requisitos legais.
Ainda segundo o governo, a PKL responde por 3,4% dos R$ 634 milhões movimentados em operações de consignado no Estado, o equivalente a R$ 21,5 milhões. Antes da liquidação pelo Banco Central, o percentual havia chegado a 5,26%, ou R$ 33 milhões.








