RIO DE JANEIRO — A administradora judicial Adriana Zamponi afirmou à Polícia que Vasco e SAF já reconheciam uma dívida próxima de R$ 7,9 milhões com o ex-jogador Max. A declaração está no centro da investigação sobre possíveis irregularidades na recuperação judicial do clube.
De acordo com Zamponi, novos cálculos elevaram o valor para aproximadamente R$ 8 milhões. Ela disse ainda ter se surpreendido quando Vasco e SAF mudaram de posição e passaram a contestar o crédito. A Polícia analisa documentos e depoimentos para esclarecer a divergência.
Crédito e cálculos sob análise
A Delegacia de Defraudações do Rio de Janeiro investiga desde maio uma possível fraude contra credores. O Vasco questionou na Justiça o valor atribuído a Max, que defendeu o clube no início da década de 2010.
A cobrança teria saído de aproximadamente R$ 2,5 milhões e chegado a cerca de R$ 8 milhões. Max já prestou depoimento e afirmou que seus atuais advogados apontaram que a ação poderia atingir aproximadamente R$ 8 milhões. Pelas regras da recuperação judicial, porém, ele disse que teria direito a receber um valor próximo de R$ 5 milhões.
Os investigadores agora conferem como o crédito foi calculado e se valores indevidos foram incluídos na cobrança.
Atuação de Alan Belaciano
A apuração também envolve Alan Belaciano, atual presidente da Assembleia Geral do Vasco e antigo advogado de Max. Ele representava o ex-jogador quando a ação foi iniciada, em 2016. No ano seguinte, deixou formalmente a defesa, mas declarou que participou de audiências em 2017 e 2019 a pedido do antigo cliente.
A Polícia busca esclarecer qual foi a participação de Belaciano depois da saída oficial do caso e se ele esteve envolvido em negociações posteriores. A posição que ocupa no Vasco é analisada por causa do conflito entre sua função no clube e o fato de ter defendido o credor.
Ex-dirigentes disseram aos investigadores que receberam alertas sobre uma possível irregularidade no balanço de 2025. Eles também relataram que Belaciano se ofereceu para intermediar conversas entre o Vasco e advogados trabalhistas durante as negociações.
Próximos depoimentos
O Conselho Fiscal da SAF já havia pedido uma apuração sobre possível conflito de interesses. O órgão citou, além do caso de Max, outros seis créditos contestados pelo Vasco. Somados, os sete processos envolvem aproximadamente R$ 10,8 milhões.
Até agora, a Polícia não concluiu que houve fraude ou participação irregular. O inquérito continua aberto e deve ouvir Belaciano, o presidente Pedrinho e outras pessoas. Também serão analisados documentos para reconstruir a origem dos valores e identificar quem participou das negociações.








