ROVANIEMI — A Comissão Europeia deve apresentar, nas próximas semanas, uma nova estratégia para orientar a atuação da União Europeia no Ártico nos próximos anos. O tema está no centro da cúpula realizada nesta segunda-feira (14), em Rovaniemi, no norte da Finlândia.
A reunião ocorre em um cenário de aumento das tensões geopolíticas na região. A crise se agravou depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou assumir o controle da Groenlândia, território autônomo dinamarquês.
Entre os participantes estão o chanceler alemão Friedrich Merz, a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo, é representado pelo assessor de Assuntos Europeus Tuomas Tikkanen.
Segurança e interesses econômicos
Tikkanen afirmou que a cúpula busca ampliar a coordenação do bloco diante do peso estratégico e econômico crescente do Ártico. Os governantes também devem abordar segurança e interesses econômicos, além de negociar uma declaração conjunta. Não estão previstas decisões formais.
Os países participantes ainda podem fazer mudanças no documento final. Para Tikkanen, o encontro acontece em um momento adequado. O assessor também disse que o cenário de segurança mudou e que o interesse pela região aumentou.
A atenção internacional sobre o Ártico cresceu desde a política europeia para a área, adotada em 2021. Rússia, China e Estados Unidos ampliaram suas atividades enquanto o derretimento do gelo marinho abre espaço para disputas por recursos naturais e novas rotas marítimas.
Em agosto, China e Coreia do Sul enviaram navios porta-contêineres para testar a Rota Marítima do Norte, em águas territoriais russas. A passagem fica sem gelo por períodos cada vez mais longos ao longo do ano.
Analistas afirmam que o Ártico aquece quase quatro vezes mais rápido que a média mundial, com impactos graves para o meio ambiente e as populações locais. Em 7 de setembro, Ursula von der Leyen anunciou recursos de 200 milhões de euros (232 milhões de dólares, 1,18 bilhão de reais) para a Groenlândia e prometeu ampliar a presença europeia no território e no Ártico.
Trump afirmou no início do ano que os Estados Unidos precisam controlar a Groenlândia por razões de segurança, mas depois descartou uma anexação forçada. Na sequência, a Otan lançou uma missão para reforçar a segurança na região.









