O Tribunal Penal Internacional (TPI) já prepara soluções técnicas alternativas diante da possibilidade de novas avaliações dos Estados Unidos contra a instituição, afirmou o procurador-geral interino Mame Mandiaye Niang.
Niang, de 65 anos, está entre os funcionários de alto escalão afetados pelas medidas americanas. Segundo ele, a situação dificulta o acesso a sistemas de pagamento e até tarefas como reservar voos ou hotéis.
“Talvez o que mais nos preocupe seja justamente a ameaça de novas avaliações, não apenas contra indivíduos, mas também contra a instituição”, disse.
As ações do governo de Donald Trump foram adotadas depois que o TPI emitiu um mandado de prisão contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, aliado próximo dos Estados Unidos. Netanyahu é acusado de crimes de guerra.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, prometeu desmantelar o tribunal “tijolo por tijolo” e chamou a instituição de ameaça à soberania dos Estados Unidos. O TPI julga pessoas acusadas dos crimes mais graves do mundo.
Resposta às críticas
Para Niang, parte das declarações americanas resulta de uma interpretação errada sobre o trabalho do tribunal. “Não temos interesse em, e nem sequer reforçamos, infringir ou violar a soberania dos Estados”, afirmou.
O procurador senegalês também rejeitou a acusação de que o TPI seja uma instituição corrupta. “É um julgamento que não aceitamos”, declarou.
Niang se prepara para presidir o julgamento do ex-presidente filipino Rodrigo Duterte, acusado de crimes cometidos durante a chamada guerra contra as drogas.
Ao comentar a possibilidade de Benjamin Netanyahu ou do presidente russo Vladimir Putin comparecerem perante o tribunal no futuro, o procurador disse que acontecimentos considerados improváveis podem se confirmar rapidamente.









