O Conselho Fiscal calcula que o Santos encerrou o primeiro semestre de 2026 com dívida de R$ 1,242 bilhão. O valor representa uma alta de aproximadamente R$ 77,8 milhões em relação ao montante reconhecido pelo órgão em 31 de março, de R$ 1,164 bilhão.
O relatório também aponta déficit acumulado de R$ 119,7 milhões até junho, acima dos R$ 73,7 milhões previstos no orçamento. A arrecadação ficou em R$ 126,4 milhões, enquanto a expectativa era de R$ 91,4 milhões. Mesmo com a receita maior, as despesas operacionais chegaram a R$ 165 milhões, ante previsão de R$ 108 milhões.
Divergência no valor da dívida
O balancete apresentado pela diretoria registra passivo total de R$ 1,193 bilhão, sem considerar receitas diferidas. Já o Conselho Fiscal entende que o total correto é de R$ 1,241 bilhão. A diferença, de aproximadamente R$ 48,4 milhões, está concentrada principalmente nas obrigações de longo prazo.
Pelos números do balancete, o passivo passou de R$ 1,094 bilhão em março para R$ 1,193 bilhão em junho. A diferença entre os cálculos envolve, entre outros pontos, a contabilização de direitos de imagem após a formalização de confissões de dívida.
“O Conselho Fiscal entende que, após a formalização da confissão de dívida, a obrigação passa a constituir passivo exigível, devendo ser registrada integralmente e classificada entre circulante e não circulante”, afirma o parecer.
O documento também cobra informações mais detalhadas sobre a dívida relacionada a Neymar. O Conselho Fiscal diz não ter recebido uma conciliação suficiente para identificar a composição integral das obrigações de direitos de imagem do jogador. O débito envolve a NR Sports, empresa da família do atacante. Santos e Neymar acertaram o parcelamento dos valores em até 80 meses.
Folha e pressão no caixa
Os salários do futebol consumiram R$ 74,2 milhões no semestre, acima dos R$ 57,2 milhões projetados. Em maio, o clube gastou R$ 14,2 milhões em salários e R$ 15,1 milhões em direitos de imagem, total que se aproximou de R$ 30 milhões.
Em junho, os gastos caíram aproximadamente R$ 10 milhões por causa das férias durante a pausa para a Copa do Mundo. O relatório não informa se essa redução foi usada para diminuir compromissos de curto prazo ou incorporada ao resultado negativo.
O Santos acumulou dois meses de atraso na folha dos jogadores, referentes a março e abril, além de um mês de direitos de imagem, em maio. As pendências foram regularizadas pela diretoria. O clube mantém oito parcelamentos ativos e está com a Certidão Negativa de Débitos vencida por causa de parcelas tributárias pendentes.
Para lidar com o caixa, os empréstimos de curto prazo chegaram a R$ 77,7 milhões. O Santos também antecipou R$ 20,1 milhões em recebíveis por meio da MLD Capital. O Conselho Fiscal alertou para o impacto futuro dessa operação, já que a antecipação reduz recursos disponíveis nos próximos períodos.
Reforços durante o semestre
Mesmo com o déficit, a diretoria apresentou Arthur, Rodinei, Lima e Everton Cebolinha. Philippe Coutinho também acertou a chegada até dezembro. A estratégia priorizou jogadores disponíveis no mercado e contratos de curta duração. Lima afirmou ter aceitado uma redução salarial para fechar com o clube.








