O Corinthians aceitou pagar R$ 10,2 milhões ao empresário Carlos Leite para encerrar uma das três disputas judiciais entre as partes. O clube não vai recorrer da condenação, e o crédito será incluído no Regime Centralizado de Execuções (RCE), com pagamento parcelado.
O acordo foi homologado na última sexta-feira pelo juiz Miguel Ferrari Júnior, da 43ª Vara Cível de São Paulo. A negociação envolve a intermediação da contratação de Felipe Bastos, em janeiro de 2017, além de direitos de imagem do ex-jogador referentes a agosto de 2018.
Com a decisão, o Corinthians reconheceu a obrigação e evita novos custos com o andamento do processo. Carlos Leite, por sua vez, abriu mão de cobrar a sentença em uma execução separada e aceitou receber pelo RCE, como os demais credores incluídos no regime.
Valor total das pendências
O encerramento dessa ação não elimina as outras cobranças. Empresas ligadas ao empresário ainda têm R$ 81,1 milhões reconhecidos no RCE. Somados os três processos, os débitos chegam a aproximadamente R$ 91,3 milhões.
A RC Consultoria & Assessoria Esportiva cobra R$ 26,5 milhões. O valor reúne comissões e direitos de imagem ligados a negociações realizadas entre 2014 e 2018. A lista inclui operações envolvendo Cássio, Fagner, Ramon Motta, Elias, Felipe Bastos e Matheus Matias.
A cobrança começou em R$ 22,7 milhões, em janeiro de 2024, e aumentou com multas, juros e correções.
O maior processo é da B&C Consultoria & Assessoria Esportiva. O débito passou de R$ 33,4 milhões, em janeiro de 2024, para R$ 54,6 milhões. A ação inclui negociações envolvendo Cássio, Fagner, Camacho, Mateus Vital, Jonathas, Matheus Matias, Gil e Renato Augusto.
Entre os registros estão renovações de Cássio e Fagner em 2018, 2019 e 2022, além da contratação de Renato Augusto, em julho de 2021, e de operações com Gil em 2019 e 2020.
Tentativas anteriores
Em novembro de 2023, na gestão de Duilio Monteiro Alves, o Corinthians havia acertado um modelo de pagamento com Carlos Leite e alguns sócios do empresário. A operação não avançou porque a Brax não assinou como anuente o contrato de cessão de crédito.
Carlos Leite afirmou que a participação da empresa teria sido exigida posteriormente por Augusto Melo. Sem acordo, ele disse que voltou a procurar o clube e decidiu executar as dívidas judicialmente em fevereiro de 2024.
A relação financeira entre o empresário e o Corinthians também inclui empréstimos. Em 2008, Leite adiantou R$ 600 mil para ajudar nas contratações de Wellington Saci e Eduardo Ramos. Em 2017, assinou um contrato de mútuo de R$ 4,1 milhões com o clube. Com juros de 1,94% ao mês, o débito chegou a R$ 8,31 milhões no fim de 2021 e foi quitado.
O novo acordo encerra uma ação, mas Carlos Leite ainda aparece entre os credores do Corinthians por causa dos dois processos restantes.








