HAVANA — A imagem de Nossa Senhora da Caridade do Cobre percorreu as ruas do Centro de Havana coberta por um manto branco, em uma mudança em relação ao amarelo tradicional. Para Ariel Suárez, secretário da Conferência de Bispos Católicos de Cuba, a escolha representa “um símbolo de paz”.
A procissão reuniu católicos e praticantes de cultos afro-cubanos. Muitos usavam roupas amarelas e carregavam girassóis, flores e bonecas que representam a santa, conhecida como “Cachita”. Padroeira de Cuba, ela é associada à orixá Oxum por seguidores da religião iorubá.
As celebrações de Nossa Senhora da Caridade do Cobre e Nossa Senhora da Regra são realizadas, respectivamente, em 8 e 7 de setembro e se estendem por toda a semana. Milhares de pessoas participam dos festejos em busca de consolo diante da crise econômica, da escassez e dos apagões.
Carlos Trejo, eletricista de 34 anos, levou uma vela e uma flor amarelas para pedir pela mulher, que dá à luz a primeira filha em um hospital de Havana. “Vim pedir por minha esposa”, afirmou antes de acompanhar a procissão.
Do outro lado da baía de Havana, Nossa Senhora da Regra reuniu centenas de devotos no bairro Regla. A santa é relacionada à orixá Iemanjá no sincretismo religioso cubano. A procissão foi menor do que em outras ocasiões.
A luz voltou ao bairro depois de um apagão de 40 horas. Odalys Fernández, 64 anos, contou que moradores aproveitaram o retorno da energia para cozinhar. Já a médica Jessica Nápoles, 24 anos, chegou ao local apesar das dificuldades de transporte e pediu saúde e uma saída para a situação vivida pelo povo cubano. Ela molhou as mãos no mar, onde havia oferendas de flores e frutas.
Entre os pedidos deste ano estão melhores condições de vida, o fim da incerteza relacionada à tensão com os Estados Unidos e uma saída para a crise econômica. A ilha enfrenta, desde janeiro, um bloqueio petroleiro atribuído aos Estados Unidos, além de apagões e escassez de alimentos, remédios e outros produtos.
Yenis Grenot, 49 anos, vive de uma pequena venda de produtos de limpeza depois de perder o emprego no turismo. Ela deseja continuar em Cuba, mas espera mudanças e melhora nas condições do país. Dois milhões de cubanos emigraram nos últimos cinco anos.









