PALAU — Uma petição com 2.000 assinaturas foi enviada no mês passado ao Congresso de Palau para pedir garantias dos Estados Unidos sobre a segurança da população em caso de guerra. A mobilização ocorre enquanto o país se prepara para receber, no próximo ano, equipes de construção das Forças Armadas americanas.
O plano inclui a reconstrução do principal porto de Koror e a ampliação de um cais construído pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial. A estrutura deverá receber navios de guerra dos EUA. Documentos de licitação também preveem um depósito de reserva dos fuzileiros navais para situações de crise.
Palau tem apenas 17.000 habitantes e menos de 458 quilômetros quadrados de terra habitável. O arquipélago fica a 800 quilômetros a oeste do Mar da China Meridional. Moradores questionam como seriam protegidos caso o território fosse envolvido em um conflito entre superpotências.
“Para onde eles iriam? A preocupação é muito real”, disse Madelsar Ngiraingas, que cresceu ouvindo relatos das avós sobre a fuga durante uma batalha entre tropas americanas e japonesas na Segunda Guerra Mundial.
Radar, aeródromo e porto
Além do cais, terrenos estão sendo desmatados para a instalação de um radar militar. Um aeródromo remoto também passa por ampliação para receber aeronaves de grande porte.
Palau recebe financiamento significativo dos EUA por um acordo de livre associação. O pacto permite que cidadãos palauenses trabalhem e estudem nos Estados Unidos sem visto e, em troca, concede acesso territorial ao Exército americano.
Ongerung Kambes Kesolei, fundador do Congress Point Institute, afirmou que o atual ciclo de obras representa a primeira atividade militar significativa dos EUA sob o acordo. “Com a chegada das Forças Armadas americanas, agora somos um alvo”, disse.
Em uma reunião comunitária em agosto, autoridades americanas apresentaram imagens de navios de cruzeiro ao explicar os benefícios do porto. Quando um morador perguntou sobre um terminal de passageiros, a resposta foi que a Marinha dos EUA não precisava de um.
Risco para os corais
A reconstrução também preocupa chefes tradicionais, cientistas e operadores turísticos. As obras ficam a dois quilômetros das lagoas marinhas de Koror, reconhecidas como Patrimônio Mundial da Unesco.
Uma avaliação ambiental apontou que a dragagem no porto de Malakal, prevista para começar este ano, poderá causar a perda de 4,26 hectares de coral e afetar tartarugas, peixes e dugongos ameaçados de extinção. A Unesco descreve as lagoas como “laboratórios naturais” e habitat de novas espécies.
O presidente Surangel Whipps disse que o antigo porto estava “à beira do colapso” e defendeu a “modernização necessária”. A Força-Tarefa Conjunta dos EUA na Micronésia afirmou que a infraestrutura ampliará o transporte comercial e a operação de embarcações maiores, além de melhorar as opções logísticas militares para a defesa regional.









