PARIS — Um total de 375 escolas estava total ou parcialmente fechado na França nesta quinta-feira (8), em meio a protestos de estudantes contra problemas no ensino médio. Organizações estudantis e sindicatos também convocaram uma manifestação e uma greve para terça-feira (13).
As mobilizações cobram a substituição de professores ausentes, a redução da sobrecarga de horários e melhorias nas salas de aula, consideradas deterioradas e incapazes de suportar o aumento das temperaturas. Os estudantes também pedem a suspensão ou mudanças no Parcoursup, sistema de acesso ao ensino superior que classificam como pouco transparente.
Confrontos em Paris
Em Paris, manifestantes ocuparam a Praça da Bastilha. Dezenas de jovens subiram no monumento, enquanto alguns agitavam a bandeira francesa e cantavam o hino nacional. Policiais retiraram as pessoas do local com bombas de gás lacrimogêneo.
No nordeste da capital, estudantes bloquearam o colégio Hélène Boucher com contêineres de lixo. A polícia interveio usando gás lacrimogêneo. A escola foi um dos principais pontos de confronto e estava entre as centenas de instituições atingidas pelos protestos.
Dezenas de milhares de pessoas também percorreram ruas de Paris e de outras cidades. Alguns manifestantes usavam máscaras cirúrgicas ou capuzes. Um estudante sentado no topo de um ponto de ônibus segurava um cartaz com a frase: “Motivo da ausência: ocupado demais lutando pelo nosso futuro.”
Governo promete medidas
O ministro da Educação Nacional da França, Édouard Geffray, se reuniu com representantes das três principais organizações estudantis. Antes do encontro, afirmou que anunciaria medidas de um “plano de emergência” para atender à reivindicação sobre professores ausentes.
A porta-voz da Union Étudiante, Sabrine Kharbach, disse que a mobilização continuará até que € 10 bilhões sejam destinados às medidas pedidas. “Enquanto não houver € 10 bilhões sobre a mesa, continuaremos nos mobilizando”, afirmou.
Na terça-feira anterior, entre 266 mil e 450 mil pessoas participaram dos protestos. Desde o fim de setembro, mais de 6,6 mil pessoas foram presas. A maioria dos jovens mobilizados tem entre 15 e 18 anos.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, afirmou na noite de quarta-feira (7) que “ninguém pode permanecer indiferente às angústias expressas” pelos estudantes, mas adiou as primeiras decisões para o fim de outubro, sem anunciar medidas concretas. Os protestos ocorrem enquanto o governo tenta aprovar um orçamento para 2027 com ajuste fiscal de US$ 60 bilhões.









