O Flamengo prevê uma perda de cerca de R$ 400 milhões em receitas em 2027 após a proibição das casas de apostas no Brasil. O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, afirma que a mudança pode obrigar o clube a rever o planejamento dos próximos anos e afetar diferentes áreas do orçamento.
A Betano representava a maior parte desse valor, com um contrato de R$ 268,5 milhões anuais, inicialmente previsto até o fim de 2028. O impacto calculado pelo Flamengo, porém, inclui outros acordos relacionados direta ou indiretamente ao mercado de apostas.
Pagamento por Paquetá entra no alerta
Bap usou a contratação de Lucas Paquetá para mostrar como a redução das receitas pode afetar compromissos já assumidos. O meia chegou ao clube por 42 milhões de euros em janeiro de 2026, mas o valor total ainda não foi pago ao West Ham.
O Flamengo desembolsou 15,25 milhões de euros no momento da contratação. O restante foi dividido em parcelas anuais, com novo pagamento previsto para janeiro de 2027. Uma parte importante da transferência ainda será quitada até janeiro de 2028.
“A gente tem um respeito enorme pela reputação da gente e ficou muito claro no minuto zero de que uma série de compromissos futuros estão ameaçados. Como é que eu vou pagar o Paquetá em janeiro?”, questionou Bap.
O presidente também disse que a medida pode comprometer a folha do futebol e as contratações. Para ele, o clube poderá ter de direcionar recursos para questões jurídicas em vez de reforçar o elenco.
Menor valor para espaços comerciais
Além da perda dos contratos atuais, o Flamengo teme dificuldade para substituir rapidamente as receitas. A avaliação de Bap é que dezenas de clubes vão buscar patrocinadores ao mesmo tempo, aumentando a oferta de espaços comerciais no futebol brasileiro e pressionando os valores.
Segundo o dirigente, um espaço máster estimado anteriormente em R$ 100 milhões poderia ser negociado por R$ 30 milhões ou R$ 40 milhões nesse cenário. Ele comparou a situação à venda de imóveis: quando há muitos apartamentos disponíveis ao mesmo tempo, os preços caem.
A redução projetada pode atingir o futebol feminino, os esportes olímpicos e outras áreas do clube. Também pode limitar o poder financeiro das equipes brasileiras diante de rivais da América do Sul. “Quem está comemorando essa Medida Provisória é a Argentina, que vai ver o futebol brasileiro perder força”, afirmou.
Em 2025, o Flamengo alcançou aproximadamente R$ 2 bilhões em receitas, impulsionado por premiações, transferências de jogadores e novos contratos comerciais. Agora, a diretoria terá de reorganizar o planejamento enquanto mantém pagamentos previstos em acordos firmados anteriormente.








