MADRI — A crise da moradia dominou o início da mobilização eleitoral na Espanha, que terá eleições antecipadas em 29 de novembro. Sem maioria parlamentar e sob pressão política, o primeiro-ministro Pedro Sánchez defendeu o reforço do decreto de habitação durante um ato em Dos Hermanas, na Andaluzia.
Diante de quase 5.000 simpatizantes, Sánchez disse que "A política de habitação não tem data de validade". O líder do Partido Socialista (PSOE) também homenageou Maricarmen Abascal, aposentada de 87 anos que morreu nesta semana, depois de ser despejada de sua casa em Madri.
Morte impulsiona protestos
Maricarmen morreu na quarta-feira (7), em um hospital, pouco depois de o Congresso rejeitar duas medidas do governo de esquerda para enfrentar a crise habitacional. O despejo, ocorrido no fim de setembro, alimentou manifestações por maior proteção aos inquilinos e por uma moradia justa.
Em várias cidades espanholas, ativistas e manifestantes mantêm acampamentos de protesto. Ao lembrar a aposentada, Sánchez afirmou: "Maricarmen abriu o caminho".
Embora a campanha oficial só comece duas semanas antes da votação, as principais forças políticas realizaram eventos neste sábado (10). Sánchez escolheu Dos Hermanas para seu primeiro ato após anunciar a convocação das eleições. A cidade fica nas imediações de Sevilha.
Oposição promete mudança
Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular (PP), principal força de oposição, fez seu primeiro evento em Madri, no centro de exposições Ifema. Ele criticou a gestão de Sánchez e defendeu uma mudança no comando do país.
As pesquisas colocam o Partido Popular à frente dos socialistas, mas sem maioria absoluta. Nesse cenário, o Vox, terceira força parlamentar e em ascensão, pode se tornar decisivo para formar a maioria no próximo Parlamento.
Além da habitação e do custo de vida, a tensão política envolve a imigração. Ceuta, enclave espanhol no norte da África, registrou nos dias 30 e 31 de julho a entrada de mais de 70.000 migrantes procedentes do Marrocos. Mais de 100 pessoas morreram, principalmente no mar, segundo as autoridades de Madri e Rabat. A cidade tem pouco mais de 80.000 habitantes.









