SÃO PAULO — O governo Tarcísio de Freitas encerra o primeiro mandato com piora em indicadores das contas públicas e aposta em Parcerias Público-Privadas (PPPs) para ampliar investimentos. O estado saiu de um superávit orçamentário de R$ 9 bilhões em 2022 para um déficit de R$ 12,2 bilhões em 2025. Documentos oficiais projetam resultado negativo superior a R$ 9 bilhões em 2026.
Entre 2019 e 2022, São Paulo acumulou superávit médio de R$ 5,6 bilhões por ano. Nos três primeiros anos da gestão Tarcísio, até 2025, a média passou a ser um déficit de R$ 1,8 bilhão por ano. O saldo líquido em caixa caiu de R$ 19,5 bilhões no fim de 2022 para R$ 5 bilhões em 2025.
O governo contesta a avaliação de deterioração fiscal. O secretário da Fazenda, Samuel Kinoshita, afirma que o resultado primário permanece positivo e considera esse indicador mais adequado. “Os dados mostram um cenário bom, benigno, e que deve melhorar”, declarou.
Previdência e benefícios tributários
O déficit previdenciário cresceu R$ 13 bilhões entre 2023 e 2025 e chegou a R$ 36,8 bilhões no ano passado. As despesas previdenciárias alcançaram R$ 58,1 bilhões no mesmo período. Tarcísio defendeu uma reforma da Previdência, mas não avançou com mudanças nas regras.
Parecer do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo apontou que os benefícios tributários poderiam chegar a R$ 83 bilhões em 2026. O relator das contas estaduais, Marco Aurélio Bertaiolli, classificou os incentivos como uma espécie de “orçamento paralelo”. Kinoshita rejeita essa interpretação e diz que o estado reduziu incentivos e alterou a estrutura tributária.
PPPs e crise nos trens
Pela metodologia tradicional, os investimentos previstos para 2023-2026 somam R$ 74,4 bilhões, valor próximo dos R$ 76 bilhões registrados pela administração anterior. Com a inclusão de inversões financeiras, recursos para PPPs e aportes no metrô, a projeção chega a R$ 110,7 bilhões, contra R$ 96,6 bilhões no período anterior. O aumento indicado é de 14,6%.
Em julho, a concessionária Trivia Trens assumiu as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, antes administradas pela CPTM. Problemas técnicos fizeram o governo retomar temporariamente a operação por 90 dias. Falhas operacionais, problemas elétricos, portas abrindo durante o deslocamento e trens parando fora das plataformas foram registrados nas linhas concedidas.
No início de agosto, ferroviários entraram em greve contra a concessão e cobraram garantias de emprego. A categoria apontava risco de demissão de aproximadamente 500 trabalhadores. Em agosto, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou por unanimidade o projeto de lei 777/2026, que permite a absorção de trabalhadores da CPTM por outros órgãos estaduais. O texto ainda depende de sanção do governador e regulamentação.








