A China e os Estados Unidos mantêm prioridades diferentes sobre os riscos da inteligência artificial, o que dificulta a criação de regras conjuntas para evitar incidentes e usos indevidos da tecnologia.
Desde 2023, especialistas e centros de pesquisa dos dois países participam de um diálogo bilateral sobre os modelos mais avançados de empresas como OpenAI, Anthropic, DeepSeek e Alibaba. Os governos, porém, não participam diretamente dessas conversas.
A pesquisadora Mathilde Viellet, do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri), afirma que a China concentra atenção na segurança e no combate aos deepfakes. Já os Estados Unidos se preocupam principalmente com a perda de controle e o desalinhamento de sistemas que atuem de forma autônoma.
Comunicação em situações de risco
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, mencionou no domingo a necessidade de aumentar a transparência entre os dois países. Ele não apresentou detalhes sobre o formato ou o alcance de uma possível iniciativa.
O analista Jean-Marc Rickli, diretor de Riscos Globais e Emergentes do Centro de Política de Genebra, defende um canal de comunicação para situações em que uma IA tome decisões militares rápidas demais ou baseadas em informações erradas. Mathilde Viellet também apoia a ideia para casos de perda de controle ou de uso por atores mal-intencionados.
A referência é o sistema de comunicação direta criado entre Estados Unidos e União Soviética depois da crise de Cuba de 1962, conhecido como telefone vermelho. O objetivo era evitar incidentes militares graves.
Os riscos citados incluem aplicações criminosas, decisões militares autônomas e ações imprevisíveis. Em setembro, a Anthropic revelou cinco casos de uso do modelo Claude que poderiam servir ao desenvolvimento de armas biológicas.
Segundo a consultoria Teneo, nenhum dos dois governos aceita, neste momento, compromissos vinculantes sobre o desenvolvimento da IA. Os Estados Unidos priorizam modelos fechados e privados para preservar a vantagem comercial, enquanto a China aposta no código aberto para acelerar avanços tecnológicos.
Mesmo com uma possível coordenação flexível, Matt Sheehan avalia que as principais medidas de governança e segurança serão adotadas individualmente por cada país.









