As tendências “Eu acho chique” e “Luxos que me permito ter” refletem uma mudança na forma de mostrar status. Em vez do excesso de marcas, o luxo passou a aparecer em escolhas mais discretas e ligadas ao repertório de cada pessoa.
Durante a era da logomania, a presença das grifes era explícita. Depois, o mercado se aproximou do quiet luxury, ou luxo silencioso: as marcas continuaram importantes, mas sem chamar tanta atenção.
Essa transformação também se relaciona ao desejo de diferenciação. Quando o poder aquisitivo não está evidente, o prestígio pode ser construído por meio do capital cultural, conceito criado pelo sociólogo Pierre Bourdieu. O repertório inclui habilidades, conhecimentos e experiências, como tocar um instrumento, falar outras línguas, ler determinados livros e visitar outros países.
A ideia também influencia as estratégias das marcas. A Coach viralizou com chaveiros que funcionam como livros. Chanel e Dior investiram em clubes presenciais. Já a Bottega Veneta transformou uma de suas lojas em galeria de arte.
O luxo fora do braço
O símbolo de status, nesse cenário, não precisa estar em uma bolsa ou em outro acessório. Ele pode aparecer na estante, na agenda ou nas conversas que alguém consegue ter.
Outro conceito relacionado a essa mudança é o de “viver deliciosamente”: incluir pequenos rituais e momentos prazerosos na rotina. A proposta surge como um caminho para quem busca um luxo ligado à intelectualidade, mas ainda precisa trabalhar.
A valorização desses hábitos acompanha a discussão sobre o que torna a vida mais sofisticada. O luxo, nesse caso, deixa de depender apenas de produtos visíveis e passa a envolver tempo, repertório e experiências incorporadas ao dia a dia.








