A Moore Threads ainda não conseguiu entregar placas de vídeo competitivas para o consumidor comum. Os modelos MTT S70 e MTT S80 foram avaliados em desempenho, consumo e compatibilidade, mas apresentaram resultados próximos aos de placas de entrada lançadas há quase uma década.
A empresa chinesa foi fundada em 2020 e tem Zhang Jianzhong como fundador. Ele foi vice-presidente global e gerente geral da NVIDIA na China. A Moore Threads tenta construir uma alternativa própria no mercado de GPUs e usa a arquitetura MUSA, sigla para Moore Threads Unified System Architecture.
Construção e consumo
As duas placas têm corpo metálico, três ventoinhas e iluminação LED. O acabamento foi considerado comparável ao de projetos de referência de AMD, Intel e Nvidia.
O consumo, porém, foi elevado diante do desempenho registrado. O sistema chegou a picos de 350 Watts com a S80 e 300 Watts com a S70. As temperaturas ficaram controladas: a S80 atingiu 68 °C, enquanto a S70 chegou a 56 °C.
Compatibilidade limitada
Blender e Solidworks não rodaram nos testes. Nas aplicações que funcionaram, o desempenho ficou no nível de uma GTX 1050 Ti. No 3DMark Fire Strike, as placas superaram a GTX 1050 Ti e a RX 550, mas permaneceram atrás da RX 580.
A fabricante afirma que a MUSA tem compatibilidade completa com o ecossistema CUDA e permite executar softwares e instruções desenvolvidos para GPUs da Nvidia, incluindo Ray Tracing em tempo real. Os resultados práticos, no entanto, mostraram limitações importantes de software.
A Moore Threads também foi afetada pelas sanções econômicas e restrições de exportação impostas pelos Estados Unidos à China. Depois de entrar na lista de sanções americanas, a empresa passou a concentrar seu foco em aceleradores de Inteligência Artificial e supercomputação para o mercado corporativo chinês.
Atualizações de driver indicam evolução rápida. Em jogos como GTA V, houve aumento de desempenho de quase 200% em relação ao lançamento original das placas. Mesmo assim, no estágio atual, os modelos não são viáveis para quem busca uma GPU para jogar ou trabalhar.
A iniciativa representa um passo na criação de um ecossistema independente de hardware, mas a Moore Threads ainda precisa evoluir para se tornar uma concorrente real no mercado global de GPUs.








