A agência reguladora dos Estados Unidos, FDA, aprovou, no dia 26 de agosto, o daraxonrasib para adultos com adenocarcinoma pancreático metastático. O medicamento é a primeira terapia-alvo aprovada para câncer de pâncreas com ação sobre proteínas RAS.
A indicação vale para pacientes que já passaram por pelo menos um tratamento sistêmico ou que não podem receber quimioterapia combinada. No estudo RASolute-302, que reuniu 500 pacientes, a sobrevida mediana foi de 13,2 meses entre os que receberam daraxonrasib. No grupo tratado com quimioterapia padrão, o índice ficou em 6,7 meses.
Os resultados foram apresentados em maio de 2026, durante o congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO). O acompanhamento apontou redução de 60% no risco de morte. O período mediano sem avanço da doença passou de 3,6 para 7,2 meses.
A taxa de resposta objetiva, que indica a proporção de pacientes com redução do tumor, foi de 31,6% com o medicamento. Na quimioterapia, ficou em 11,2%. Eventos adversos de grau 3 ocorreram em 43,6% dos pacientes tratados com daraxonrasib e em 57,5% dos que receberam quimioterapia.
O medicamento atua sobre o sistema de sinais que orienta o crescimento e a divisão das células. No câncer de pâncreas, mutações no gene KRAS aparecem em mais de 90% dos adenocarcinomas ductais pancreáticos, o tipo mais frequente da doença. Essas alterações podem manter a proteína KRAS ativa continuamente, estimulando a multiplicação e a sobrevivência das células tumorais.
O daraxonrasib se liga à ciclofilina A, uma proteína presente nas células. O complexo formado consegue se conectar a proteínas RAS ativas e interromper a comunicação que favorece o crescimento do tumor. A estratégia busca atingir diferentes formas de RAS em funcionamento, em vez de agir apenas sobre uma proteína associada a uma mutação específica.
Cenário do câncer de pâncreas
No Brasil, são estimados 13.240 novos casos por ano entre 2026 e 2028. O número corresponde a 2,6% dos cerca de 518 mil casos anuais previstos, sem contar o câncer de pele não melanoma. Com essa exclusão, o câncer de pâncreas aparece na nona posição entre os mais frequentes no país.
O diagnóstico costuma ocorrer tardiamente, e sintomas como dor nas costas, perda de peso, alterações digestivas e fadiga podem ser associados a problemas comuns. A doença também apresenta tecido fibroso ao redor das células cancerosas e mecanismos de imunossupressão, fatores que dificultam a chegada dos medicamentos e a ação do sistema imunológico.
Outras estratégias continuam em investigação. Entre elas estão vacinas terapêuticas individualizadas, produzidas a partir da análise genética do tumor retirado em cirurgia. A vacina autogene cevumeran, também chamada de RO7198457, induziu respostas de células T contra o tumor em parte dos participantes de um estudo inicial. Após acompanhamento mediano de 3,2 anos, essas células continuavam detectáveis nos pacientes que responderam.
Outra vacina experimental, a ELI-002 2P, busca estimular células T contra proteínas KRAS com as mutações G12D e G12R. Em um estudo com 25 pacientes — 20 com câncer de pâncreas e cinco com câncer colorretal —, 84% apresentaram resposta de células T contra KRAS. Os dados ainda são preliminares, e estudos maiores precisam avaliar o impacto dessas abordagens na recorrência e na sobrevida.








