Um vídeo mostra Alexandre de Moraes e a esposa, Viviane Barci, desembarcando de uma aeronave que pertencia à empresa Prime You, ligada a Daniel Vorcaro. A gravação contradiz uma declaração feita pelo ministro em 31 de março, quando ele afirmou, em nota, “jamais ter voado” em aviões do ex-dono do Banco Master.
O escritório Barci de Moraes confirmou neste domingo, 20, que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation. A banca informou que, em determinados voos, Viviane foi acompanhada pelo marido, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A nota afirma que Daniel Vorcaro não esteve presente nos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório. O escritório também declarou que a contratação segue critérios operacionais e que a escolha das aeronaves cabe às empresas de aviação civil contratadas.
Voo e registros
A gravação teria sido feita em 22 de agosto de 2025, data em que Moraes participou de um fórum do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), no Rio. Imagens do evento mostram o ministro de terno preto e Viviane com um conjunto bege, roupas parecidas com as usadas no desembarque.
Um levantamento apontou que Moraes e Viviane fizeram ao menos oito voos ligados às empresas de Vorcaro entre maio e outubro de 2025, considerando trajetos com origem no Aeroporto de Brasília. Na ocasião, o ministro chamou a informação de “fantasiosa” e disse que jamais havia viajado em avião de Vorcaro.
A aeronave do vídeo tem o prefixo PP-NLR. Segundo a Polícia Federal, mensagens trocadas na véspera indicavam que o avião seria usado em um voo de Viviane. Em uma delas, um contato identificado como “Thatiane Prime” escreveu: “Temos o voo da Barci no PP-NLR, decolando do Catarina às 13:00”.
Contratos citados
Vorcaro chegou a elaborar um contrato de R$ 50 milhões para ceder cotas de aeronaves à esposa do ministro. O escritório afirma que a proposta não foi assinada e deixou de existir após a liquidação do Banco Master.
Viviane também tinha um contrato de R$ 131 milhões com o Master para serviços jurídicos. A Polícia Federal constatou que o documento foi editado por Moraes, conforme as informações apresentadas no caso.
Moraes nega ainda ser o destinatário de mensagens enviadas por Vorcaro a um número de WhatsApp atribuído ao ministro. Ele afirma que o método usado pela Polícia Federal para fazer essa identificação não garante a autenticidade dos diálogos.








